Como montar um clube de leitura presencial que funciona de verdade
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Vamos dar a palavra a João Carlos Marinho: Desde criança sou apaixonado pelo conde Drácula. Quando ia assistir a um filme de terror e não sentia muito medo eu achava que tinha sido roubado. Múmias, lobisomens e almas penadas sempre achei inconvincentes, pouco interessantes e nada assustadores. Só o Drácula me metia medo, eu me virava na poltrona, enfiava a unha. O conde é inteligentíssimo. Culto. Filosofia, música, artes, sua cabeça abrange tudo. Sabe manter a tranquilidade e frequenta a sociedade com o desembaraço de um grande senhor. Este relacionamento que o Drácula cria com a sociedade e suas qualidades intelectuais dão margem a um desdobramento do clima do medo inacessível a outros monstros. A não ser que se queira fazer uma caricatura do Drácula, misturando dentes, sangue e castelos, a complexidade do personagem torna muito difícil fazer uma história onde ele apresente as suas qualidades e sua dignidade.
João Carlos Marinho, nasceu na cidade do Rio de Janeiro, mas logo aos 5 anos mudou-se com a família para Santos (SP), onde cursou o primário no Ateneu Progresso Brasileiro. No Colégio Mackenzie, em São Paulo, cursou o ginásio como interno até os 13 anos, quando seu pai morreu. Ele passou a viver então com os avós, a mãe e a irmã, nessa cidade. Em 1952, mudou-se para a Suíça e faz o colegial na École Nouvelle de la Suisse Romande, em Lausanne, onde morou até abril de 1956, quando obtém o certificado de Maturité Fédérale Suisse. De volta ao Brasil, fixou residência em São Paulo e ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), em 1957. Bacharel, em 1961, iniciou sua carreira como advogado trabalhista em Guarulhos (SP), atuando inicialmente em sindicatos e depois com escritório próprio. A partir de 1965, dividiu o tempo dedicado ao escritório com o dedicado à literatura e, desde 1987, passa a viver exclusivamente como escritor. Marinho foi um grande leitor e admirador de Monteiro Lobato e seguindo o modelo dos livros desse autor, fez a sua estreia na literatura, em 1969, com o livro O Gênio do Crime. Esse obra inaugurou uma série de livros de aventuras protagonizadas por um grupo de pequenos heróis denominada As Aventuras da Turma do Gordo. A série contou com 13 histórias, sendo o mais recente, O fantasma da Alameda Santos, publicado em 2015.
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