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Organizado, traduzido e anotado por Felipe Franco Munhoz, "O Cavaleiro de Bronze e outros poemas" reúne 41 textos do maior poeta da língua russa, Aleksándr Púchkin (1799–1837). A narrativa em versos “O Cavaleiro de Bronze” (1833), pela primeira vez integralmente publicada no Brasil, consagra o mito de São Petersburgo e de seu criador, deflagrando o embate do “pequeno homem” (málenkii tcheloviek) com esferas de poder e a loucura. Além de icônicos, os outros poemas selecionados – que vão do puro lirismo à ironia sarcástica, do amor cortês à sensualidade erótica – desvelam o talento versátil de Púchkin, que consolidou o modelo poético até hoje usado na Rússia e cuja particularidade formal a tradução lapidada buscou recriar. (Coleção Mir: edição bilíngue, áudio em russo disponível.)
Aleksándr Púchkin (1799-1837) nasceu em Moscou numa família da nobreza. Durante a infância, passava os verões na propriedade de sua avó, perto de Moscou, onde começou a tomar gosto pela língua russa. Ingressou no prestigioso Liceu Imperial de Tsárkoie Seló em 1811, época em que seus poemas passaram a despertar atenção. Perseguido pela censura tsarista, Púchkin foi exilado em 1820 por Alexandre I, passando quatro anos na Crimeia, Moldávia, Odessa e Cáucaso. De volta à Rússia, continuou sob a dura vigilância de Nicolau I, que, mesmo estimando o talento de seu funcionário (Púchkin se tornará seu historiador oficial), não o perdia de vista. Aleksándr Púchkin morreu aos 37 anos, vítima de um duelo que disputou com George-Charles D’Anthès (1812–1895), oficial francês que havia cortejado Natália Gontcharova (1812–1863), esposa do poeta. Mesmo tendo vivido pouco, Aleksándr Púchkin — como é conhecido — inaugurou a moderna literatura russa ou criou as bases para que ela se desenvolvesse. Ele foi responsável pela consagração de um novo cânone poético e deu à língua russa um status de que ela não desfrutava entre os literatos, usando elementos folclóricos e coloquialismos em suas criações. Além de expor os conflitos nacionais e os mitos de fundação de São Petersburgo, o escritor traz à cena temas como o amor erótico, a loucura, o carteado, as relações por interesse. Com elegância, ironia e equilíbrio, Púchkin foi (e continua sendo) relido por artistas de todo gênero. Tchaikóvski, por exemplo, compôs uma ópera baseada em "Evguéni Oniéguin", seu romance em versos, publicado entre 1825 e 1832. Púchkin deixou um legado de poemas inestimável, indo do romantismo ao classicismo, muitos dos quais se tornaram célebres, como “O cavaleiro de bronze” (1833). Também abriu caminhos para o “século de prata” da literatura russa com sua prosa, produzida nos anos 1830, como o conto “A dama de espadas” (1833).
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