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E Seu Finado Fazedor de Vinho na Cidade dos Mortos
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Tido pela revista Time como um dos 100 melhores livros de literatura fantástica de todos os tempos, O bebedor de vinho de palma e seu finado fazedor de vinho na Cidade dos Mortos , do escritor nigeriano Amos Tutuola, é considerada a obra seminal da literatura moderna africana. Profundamente enraizado na tradição oral iorubá, o romance leva o leitor por uma jornada plena de maravilhamento e mágica, na qual o personagem caminha de mata em mata, parando em vilarejos e às margens de rios, onde encontra todo tipo de obstáculos e criaturas. Nesse périplo, um herói sem nome leva uma vida de ócio e devaneio bebendo vinho de palma, uma bebida alcóolica fermentada a partir da seiva de várias espécies de palmeira, cercado de amigos igualmente bebedores. Até que seu fazedor de vinho, o único que exerce bem o ofício na região, morre numa queda. Isso obriga o herói a ir buscá-lo na Cidade dos Mortos. Tal um Macunaíma, nessa jornada plena de maravilhamento e mágica, ele encontra todo tipo de obstáculo e de criatura, sobrenaturais e aterrorizadoras, das quais tentará se livrar com a ajuda de jujus , objetos mágicos que lhe conferem poderes especiais. Considerada hoje como a obra seminal da literatura moderna africana, que conquistou escritores como T. S. Eliot, Dylan Thomas, Chinua Achebe, Raymond Queneau e Wole Soyinka, o livro do nigeriano Amos Tutuola (1920-1997) é um trabalho literário sofisticado que transforma a oralidade dos contos e a cosmogonia iorubá em material artístico.
Hoje considerado pela crítica especializada como o pai fundador do romance nigeriano de expressão inglesa, Amos Tutuola nasceu em 1920 em Abeokuta, Nigéria, então sob colonização britânica. Era filho de agricultores e somente na adolescência pôde cursar seis anos de escola numa instituição do Exército da Salvação. Tornou-se ferreiro, tendo exercido o ofício na Força Aérea Britânica. Passou por vários trabalhos, incluindo a função de mensageiro de um órgão do governo. O bebedor de vinho de palma (escrito em 1946, publicado em 1952) foi seu primeiro livro. O segundo, Minha vida na mata dos fantasmas (1954), uma espécie de prólogo a O bebedor de vinho de palma, também alcançou repercussão dentro e fora da Nigéria – chegou até a inspirar o título de um álbum de David Byrne e Brian Eno. Entre os outros livros de Tutuola estão Simbi and the satyr of the Dark Jungle (1955) e Yoruba Tales (1986). Em 1979, o escritor recebeu uma bolsa de pesquisador visitante na Universidade Obafemi Awolono, em Ilê-Ifé, Nigéria, e em 1983 foi associado do Programa Internacional de Redação da Universidade de Iowa (EUA). Na aposentadoria, ele se revezou entre residências em Ibadã e Ago-Odo. Morreu aos 76 anos em Ibadã.
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