Por que alunos que leem mais vão melhor em todas as matérias
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Revoluções prometem libertação e acabam por instaurar novas formas de dominação. Esse ciclo, longe de ser apenas uma reiterada constatação histórica, reaparece hoje nas guerras culturais, no ativismo judicial e nas microrrevoluções identitárias do presente. Nem mesmo o rastro de mais de cem milhões de mortos associados às utopias ideológicas do século XX foi suficiente para abalar a crença de que a sociedade pode ser redesenhada segundo um Modelo perfeito. Por quê? Porque o apelo da ideia de revolução não é apenas político, mas também cognitivo: quanto menor o rigor de uma proposta, maior tende a ser sua capacidade de sedução. O problema, portanto, não reside apenas em revolucionários equivocados, mas nos pressupostos filosóficos do pensamento revolucionário. Em Novas e velhas revoluções, o filósofo Alberto Oliva examina essa lógica com precisão analítica, dialogando com autores como Alexis de Tocqueville, Karl Popper, Joseph Schumpeter, Edmund Burke e Karl Marx para mostrar que as revoluções não fracassam por má condução do movimento de transformação, por inépcia ou desvios morais de seus líderes, mas pela forma “absolutista” de tentar conduzir o processo histórico. O chamado “paradoxo de Tocqueville” — segundo o qual o descontentamento social pode crescer justamente quando as condições de vida melhoram — ajuda a compreender tanto a dinâmica da Revolução Francesa quanto o mal-estar ora presente nas sociedades livres. O ovo do neototalitarismo, alerta Oliva, costuma ser incubado exatamente nos movimentos que se veem como portadores de verdades últimas. O livro surge, assim, como um antídoto para quem ainda acredita que “desta vez será diferente” — e como uma confirmação, para os mais céticos, de que o revolucionário mais radical tende a tornar-se, inevitavelmente, o conservador do dia seguinte.
Alberto Oliva é professor Titular do Departamento de Filosofia da UFRJ. Coordenador do Centro de Epistemologia e História da Ciência do PPGLM da UFRJ. Pesquisador do CNPq desde 1982. Cientista do Nosso Estado (FAPERJ). Membro da Academia Brasileira de Filosofia. Autor de livros e artigos publicados no Brasil e no exterior. Articulista da revista italiana Liber@mente e membro de seu Comitê de Redação de 2014 a 2018, ano de sua descontinuidade. Pós-doutorado na Universidade Siena em 2012 e visiting professor na Universidade de Turim em 2019. Membro pleno do GT de Filosofia da Ciência da ANPOF. Sócio fundador da Associação de Filosofia e História da Ciência do Cone Sul. Articulista do Jornal da Tarde de São Paulo de 1993 a 2005. Tradutor e revisor de várias obras de filosofia, com destaque para as de Bertrand Russell.
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