Os melhores livros paradidáticos para o ensino médio
Uma seleção dos paradidáticos mais usados em escolas brasileiras, por disciplina, faixa etária e nível de leitura. Para professores que querem fazer o aluno querer ler o livro indicado.
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Noites em (azul) claro é um romance sobre o amor. E, como o amor não tem sexo, este poderia ser um romance entre um menino e uma menina, entre duas meninas ou dois meninos. Surpreende o domínio da linguagem e dos sentimentos que Júlia Loyola revela em seu livro de estreia. Desde o Prólogo, maneja o texto com desenvoltura, pegando o leitor pela mão e levando-o a mergulhar na história. Como quem sabe do riscado, trabalha o sentimento dos personagens, aliando-os a evocações e a sensações visuais e olfativas. A obra apresenta três eixos temáticos básicos, que são o amor, a vida familiar e a adoção, e a vida escolar e o bullying, desenvolvidos com a linguagem necessária para trabalhar temas profundos e delicados. Num momento difícil da adolescência, Júlia teve a ideia de escrever uma história em que o sonho estivesse presente, tomando o lugar da realidade. Para uma menina que adorava ler e escrevia compulsivamente desde os dez anos, mergulhar no seu mundo e criar um livro, aos quinze, foi o caminho para sobreviver. Mas não foi um livro qualquer; resultou numa obra elaborada, que mostra que a autora nasceu para a escrita. A vivência narrativa da escritora vem da infância, ouvindo da mãe, e especialmente da avó materna, as mais diversas histórias, inclusive as sobrenaturais, e sua grande influência literária foi a saga Desventuras em série, de Lemony Sniket, além de Clarice Lispector, Machado de Assis, José Saramago, Guimarães Rosa e Jorge Amado. A escolha do sonho era arriscada, poderia resultar em algo fantasioso demais, e Júlia se preocupou com isso, buscando verossimilhanças e situações factíveis e manejando com delicadeza o dormir e o acordar, o sonho e a realidade, de modo que eles se relacionassem com naturalidade. As cenas de Noites em (azul) claro são pintadas com a precisão de quem possui alto senso imagético. “Tenho um olho externo, que capta o que acontece fora, e um olho interno que vê o meu mundo”, diz Júlia. E assim, como num jogo em que algumas cartas apenas se entremostram, criou algumas sutilezas ao longo d As ilustrações de Santiago Régis estão de tal forma integradas ao texto que parece terem sido criadas ao mesmo tempo em que Júlia escrevia. As imagens conversam com a história na mesma linguagem contemporânea e a interpretam com liberdade e ousadia. Decifrando a realidade nas entranhas do sonho, Noites em (azul) claro faz a ligação direta entre o sonho e o amor.
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