Como criar um clube de leitura na escola (e por que isso muda tudo)
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Noites desertas reúne dois romances do escritor Carlos Ribeiro: O chamado da noite, lançado em 1997, e A noite de José, inédito, mas com alguns capítulos publicados em livros e coletâneas nacionais de contos, ambos com expressiva aceitação por nomes de peso da literatura e da crítica jornalística e universitária. São obras afins, na linguagem, marcada pelo ritmo ágil e pelo lirismo, mas sobretudo pelo “espírito do tempo” no qual, numa atmosfera noturna e crepuscular, antecipam, de forma aguda, os impasses deste ainda enigmático século XXI, no qual as fronteiras entre o real e o simulacro tornaram-se embaçadas. Seus personagens caminham nos entrelugares do sonho e da vigília, do presente e da memória de um tempo soterrado, o tempo das cidades sem utopia. Seu cenário: as ruas de uma Salvador desencantada, “sem farofa e sem dendê”, na precisa definição do romancista Antonio Torres. Memória, imaginação, intertextualidade, fusão de gêneros, desenraizamento, solidão, inventividade, melancolia, multiplicidade de vozes são algumas palavras que tentam exprimir de alguma forma o espírito deste romance de romances. Como ressalta Luciana Santos de Oliveira, em Quixotismos pós-modernos na narrativa de Carlos Ribeiro (Edufba, 2021), “(...) é também neste deserto de uma pós-modernidade problemática, que o leitor encontra o que há de mais vital na sua essência – e, com humor desconcertante, aponta o caminho para o resgate da sua humanidade.”
Carlos Ribeiro, natural de Salvador, Bahia, é autor de mais de 20 livros nos gêneros conto, romance, ensaio e reportagem, dentre os quais se destacam Abismo (2004), Lunaris (2007), Aventureiros do Apocalipse (2008) e Rubem Braga: um escritor combativo. A outra face do cronista lírico (2013). Vencedor do Prêmio da Academia de Letras da Bahia, em 1988, atua como jornalista nas áreas de cultura e divulgação científica, participando de expedição à Antártida e escrevendo reportagens sobre ecossistemas brasileiros para publicações como Ciência Hoje e a revista Geográfica Universal. Destacado pela crítica como um dos principais nomes da Geração 80 no Brasil, Carlos Ribeiro tem contos publicados em antologias nacionais e artigos e resenhas em publicações literárias. Membro da Academia de Letras da Bahia, é professor do curso de Jornalismo da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).
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