Como usar a leitura para aprender (ou melhorar) um idioma
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Na mitologia grega, Cassandra é aquela que vê o que os outros se recusam a enxergar, condenada a dizer a verdade sem jamais ser plenamente acreditada. Em Na beirada , Bruna Maia evoca esse mito para construir um thriller singular conduzido por uma protagonista que parece sofrer da mesma sina. Cassandra é uma mulher solitária, introspectiva e emocionalmente instável. Programadora que trabalha remotamente revisando códigos para empresas estrangeiras, ela construiu para si uma vida de isolamento voluntário. Seus dias se sustentam em pequenos rituais: correr pelo bairro, ouvir as conversas da vizinha Clotilde e manter encontros sexuais esparsos, enquanto tenta lidar com lembranças fragmentadas da própria infância. Até que um assassinato brutal estampado nas manchetes desperta nela um ímpeto improvável: prestar concurso para investigadora da Polícia Civil. Ao longo dessa trajetória, ela entra em uma espiral de dissociação, ansiedade e violência. À medida que Cassandra parece enlouquecer, ela também se torna mais lúcida, por mais estranho que isso pareça. Ao atravessar o universo da psiquiatria e da investigação criminal, Bruna explora as zonas cinzentas entre sofrimento psíquico, diagnóstico e estigma. Alternando vozes narrativas, o próprio ritmo do romance parece acompanhar os estados mentais de Cassandra — suas dissociações, obsessões e crises de ansiedade. Este é um thriller brasileiro raro. Bruna pega um gênero cheio de fórmulas e o leva para um lugar muito mais estranho, incômodo e interessante. — Andressa Tabaczinski, autora de Boas meninas se afogam em silêncio
Bruna Maia é jornalista, cartunista e escritora. Gaúcha, viveu por quase catorze anos em São Paulo e hoje mora no Rio de Janeiro. Em Com todo o meu rancor (Rocco, 2022), seu primeiro romance, transformou a fúria feminina em método. É autora do quadrinho Parece que piorou (Companhia das Letras, 2020) e do ensaio-reportagem Não quero ter filhos — e ninguém tem nada com isso (Nacional, 2023). Assina a coluna X de Sexo, no F5, da Folha de S.Paulo. Acredita que a ficção serve para reagir de forma brutal às violências do patriarcado. Gosta do mar, de gatos e de livros de “mulheres malucas”. Em geral, elas estão certas (mas errar faz parte). Defende o aborto seguro, legal, gratuito e sem estigma.
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