Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
A Escrita Feminina Entre o Humano e o Divino
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Mulheres habitadas pelo sagrado: a escrita feminina entre o humano e o divino é o título do novo livro da filósofa e professora Simone Marinho (UEPB). A obra reúne seis ensaios que abordam a vida e a filosofia de mulheres como Beatriz de Nazaré, Hadewijch da Antuérpia, Marguerite Porete, Simone Weil e Etty Hillesum, traçando um arco temporal que se inicia no século XIII e se estende até a primeira metade do século XX. Sempre presente nesta jornada a mística feminina, entendida como um percurso que leva ao encontro do humano com o divino, nas suas variadas vertentes. Os textos são frutos das pesquisas da autora em filosofia medieval, sobre mulheres na filosofia e sobre mística e literatura de autoria feminina, estando unidos por um tema que percorre todos eles, o da escrita feita por mulheres nas suas relações com o sagrado. Para a professora Maria Clara Bingemer (PUC-Rio), que assina o prefácio, “o livro de Simone é iluminador sobre essa mística feminina que trouxe o peso das palavras de mulheres que desejavam conhecer a Deus para a tradição mística cristã e cujo desejo foi satisfeito pelo próprio Deus através da presença amorosa e responsiva e do amor correspondido. Trata-se de uma obra indispensável na área dos estudos místicos que tanto cresce hoje. Ela traz essas importantes atrizes que são as mulheres, por tanto tempo silenciadas e que agora apresentam a preciosa contribuição de sua experiência e palavras.” Ponto importante destacado pela autora é que “a mística de todos os tempos e de todas as culturas é sempre a união do humano com o divino, independente de que forma esse divino seja nomeado. Além disso, [...] escapa à ideia de bem e mal, no sentido de que está sempre além dessas formatações, não só porque dois se tornam um e este um está no plano daquilo que nos ultrapassa, como também porque é preciso transgredir os limites de uma certa linguagem, aquela própria do princípio de não-contradição.”
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