Como ler mais livros: 10 hábitos dos leitores que devoram 50 livros por ano
Ler 50 livros por ano parece impossível? Não para quem adotou os hábitos certos. Descubra as estratégias usadas por leitores vorazes para encaixar mais leitura no dia a dia.
Contos
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Maria Mortatti articula 20 contos escritos entre 1979 e 2012. Dão voz a uma mulher emudecida que representa milhares de outras mulheres sem nome, silenciadas, exploradas e oprimidas pelo poder masculino num mundo androcêntrico, de cujos rígidos modelos de conduta [...] só se safam as que, como a personagem central destes contos, conseguem desbravar, ao longo da vida, um caminho de autognose que lhes permita resgatar a sua identidade própria no âmago de si mesmas e não em qualquer ilusório amante ideal. No caso desta mulher que aqui podemos acompanhar desde a infância e a adolescência até à vida adulta, a literatura surge como imprescindível instrumento de libertação, [que] não se dá num piscar de olhos: o caminho é tortuoso e deveras doloroso; só depois de levar muito sopapo a personagem envereda pela via da liberdade. Este livro desnuda a violência do patriarcado ao mesmo tempo em que exibe, no canto da boca da mulher emudecida, o riso ambíguo e triunfante da Gioconda. Seja bem-vinda, Mulher emudecida! Que a sua palavra venha para ficar. Renata Soares Junqueira Este é o primeiro livro da trilogia Essa mulher composta de: Mulher emudecida (contos), Mulher umedecida (poemas) (Scortecci: 1ª ed., 2020; 2ª ed. rev. e ampl., 2021) e Mulher enlouquecida (em elaboração). Neste que agora se publica, têm-se 20 contos escritos entre 1979 e 2012. A sequência em que são apresentados propicia acompanhar o processo de emudecimento a que a protagonista é submetida por agentes e padrões de comportamento familiares/sociais, ou a eles se submete por assimilação ou aceitação resignada, e suas tentativas de emancipação por meio da conquista do direito à voz. Submissão e autossubmissão podem ser entendidos como processos de assujeitamento-desumanização-desfeminização relacionados entre si e com o lugar imposto à mulher na sociedade brasileira, em especial no século XX. No entanto, mesmo submetida recorrentemente ao emudecimento, sua voz interior continua passionalmente viva, assim como a resistência à capitulação. A busca incessante da protagonista de Mulher emudecida e sua dúvida final encontram altissonante ressonância – não desfecho – na do livro Mulher umedecida. Embora possam ser lidos em qualquer sequência, o projeto da trilogia pode ser mais adequadamente compreendido quando se lê a emudecida antes da umedecida e estas, antes da enlouquecida. As narrativas se desenvolvem em torno de mesmo eixo temático – a jornada de autoconhecimento da mulher por meio do vínculo com o outro – cujo movimento, em vórtice, com recuos e avanços no tempo, é desencadeado por recordações de vivências íntimas da protagonista como se tiradas do obscuro silêncio. Ser lida, portanto, é o desejo da mulher a quem dedico este livro, como um pedido de perdão por tê-la feito esperar tanto tempo para ser ouvida. Maria Mortatti
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