Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
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Em um misto de mito, história e memória, Morte na água é uma das obras-primas de Kenzaburo Oe, que trabalha com maestria ao desenvolver a narrativa de um trauma pessoal que é também o trauma de uma nação. Conhecido por sua aguda capacidade de observação da alma humana, Kenzaburo Oe é um dos principais romancistas contemporâneos. Ganhador do prêmio Nobel de literatura, seus livros angariam leitores em todo o globo. Em Morte na água , acompanhamos o escritor Kogito Choko — alter ego do próprio Oe — em sua luta pela inspiração para seu próximo livro, que o leva de volta à sua cidade natal em busca de informações que expliquem melhor a morte de seu pai. A intenção de Kogito é escrever um romance a partir do que coletar, mas ele acaba se vendo em meio a questões muito mais profundas que envolvem desde traumas pessoais até descobertas que remontam à Segunda Guerra Mundial. O relacionamento turbulento entre pai e filho emerge com toda força, além da culpa de Kogito por não ter estado presente na noite em que o pai se afogou. É Asa, sua irmã, quem traz para a narrativa um grande baú vermelho que pode conter as explicações que o protagonista tanto procura. Ao analisar a busca por um legado particular mas também nacional, Kenzaburo Oe constrói um romance inesquecível sobre traumas pessoais e coletivos, e sobre como as narrativas que construímos para nós mesmos podem se mostrar frágeis. “Neste livro, a serenidade e o domínio narrativo de Kenzaburo Oe são admiráveis.” — New York Times Book Review
KENZABURO OE nasceu em 1935, no vilarejo de Ose, no Japão. Ainda estudante de literatura francesa em Tóquio, estreou na ficção e conquistou o cobiçado prêmio Akutagawa. Um dos romancistas mais populares de seu país, sua obra compreende inúmeros contos, escritos políticos e um famoso ensaio sobre Hiroshima. Em 1967 recebeu o prêmio Tanizaki e, em 1994, o prêmio Nobel de literatura. Dele a Companhia das Letras já publicou os romances Jovens de um novo tempo, despertai!, Morte na água e Uma questão pessoal, além de uma seleta de 14 contos. Faleceu em 2023, aos 88 anos, de causas naturais.
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