Os melhores livros de ficção para quem quer começar a ler
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A característica memorialista de José Lins do Rego é expressada de diversas formas nas suas obras. Seja por meio dos fragmentos da sua vida que são impressas na jornada de Carlinhos, protagonista de três livros do Ciclo da cana-de-açúcar, ou até mesmo na forma que ele aborda o movimento do canganço em Pedra Bonita e Cangaceiros, ambos lançados pela Global Editora em 2022, ele explora seus sentimentos (de forma direta ou indireta) sempre com o dom que bons romacistas tem de reproduzirem suas próprias memórias em livros. Em Meus verdes anos isso fica evidente. Em Meus verdes anos, o autor continua com o contexto social e politico ainda muito presente, mas usa dos mesmos para contar um pouco das suas experiências na infância: a forma como chegou no engenho do avô, como observava a relação do senhor do engenho com seus empregados, a forma como se sentia solitário na vida, abandonado por todos ao seu redor. Ao mesmo tempo, contextualiza o espaço ao seu redor mostrando situações como a disparidade de poder, a fome, febres e outros problemas do engenho, tudo isso sem perder a qualidade ingenua e doce do olhar de uma criança. Zé Lins fecha o livro dizendo: “Lá se for a ele com os cantos que enchiam de alegria as minhas madrugadas de asmático. Lá se perdia ele para sempre, assim como estes meus verdes anos que em vão procure reter”. Com um saudosismo claramente expresso nas suas palavras, ele fecha uma narrativa que é sobre infância, amadurecimento e uma época que não volta mais.
José Lins do Rego nasceu em 3 de junho de 1901, em Pilar, Paraíba e faleceu em 12 de setembro de 1957, na cidade do Rio de Janeiro. Publicou em 1932 seu primeiro livro, Menino de engenho, romance que foi seu passaporte de entrada para a história do moderno romance brasileiro. Além de romancista, o escritor paraibano foi também contista, cronista, tradutor e jornalista, tendo contribuído ao longo de sua vida para vários periódicos brasileiros. Seus livros foram traduzidos para o inglês, francês, espanhol, alemão, italiano, dentre outras línguas. Em 1956, ano anterior ao de seu falecimento, tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras.
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