Como presentear livros sem errar: um guia para acertar sempre
Dar um livro de presente é um ato de intimidade, você está dizendo "eu conheço você". Mas errar é fácil. Veja como acertar na escolha e surpreender quem você ama.
Sentidos, Usos, ApropriaçõEs e Conflitos em Torno de um Barracão de Pesca
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Não deve haver dúvidas quanto ao fazer antropológico ser uma atividade individual. É o antropólogo que, nas palavras de Roberto Cardoso de Oliveira, executa os atos cognitivos do olhar, do ouvir e do escrever. Essa escrita, entretanto, é tanto o resultado do trabalho do “eu” quanto da interação com os interlocutores, “eles”. Ou seja, a escrita, como ato cognitivo, tem um autor, como já disse Clifford Geertz, mas o conteúdo de seu texto é resultado de uma hermenêutica de significados compartilhados entre o pesquisador e seus interlocutores. Até aí, nada de novo. Mas o que acontece quando o pesquisador chega em campo dentro de um contexto de pesquisa cujas relações com seus interlocutores perduram por décadas? Não se trata de pesquisas como as feitas por Raymond Firth sobre os pescadores malaios. Nem de pesquisas feitas pelo mesmo pesquisador. Mas de um conjunto de pesquisadores que atua-ram junto aos pescadores de Itaipu e Piratininga por mais de 40 anos, a partir do Núcleo Fluminense de Estudos e Pesquisa (NUFEP/UFF) e da pesquisa inaugural de Roberto Kant de Lima sobre os pescadores de Itaipu iniciada em 1974 e publicada em livro em 1997. Temos um contexto de pesquisa diferente. A despeito das relações singulares que o pesquisador estabelece com seu campo e seus interlocutores, essa relação está impregnada de relações pretéritas estabelecidas por outros pesquisadores e perspectivas distintas, devido às mudanças ocorri-das no espaço e em seu entorno. O livro que o leitor tem em mãos pode ser lido como um produto singular de um contexto antropológico tradicional. Mas também poderá ser lido como o resultado de um contexto que tem passado, presente e futuro, não apenas nas lentes do pesquisador, mas pelas lentes de seus interlocutores e do lugar, personagem também fundamental nesta pesquisa: a Reserva Extrativista de Itaipu e Piratininga. Ronaldo Lobão
Doutor em Antropologia pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre em Ciências Sociais pela PUC-Rio. Atua nas áreas de Antropologia Política e Etnologia Indígena, com pesquisas sobre povos indígenas da macrorregião das Guianas e pescadores artesanais do litoral fluminense. É pesquisador do INCT-InEAC e de grupos de pesquisa da UnB, além de professor na UnB, onde é bolsista do Programa Institucional de Pós-Doutorado (CAPES).
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