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Literatura Estrangeira

Justine

Ou os Tormentos da Virtude

1ª Edição - 2019256 páginasIluminuraspt
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Sinopse

Alguns pensadores se exaltam com a ideia de colocar por terra – por completo – os valores que já estão bem estabelecidos. Assim, afirmam com prazer que o homem mais subversivo de todos – o marquês de Sade – é também o que melhor serviu a humanidade. Segundo eles, nada pode ser mais correto. Trememos diante da ideia da morte e da dor (sejam elas nossas ou dos outros); o trágico ou o imundo nos aperta o coração; no entanto, o objeto de nosso terror tem, para nós, o mesmo valor que o sol, que não é menos glorioso se desviamos da sua claridade nossos olhares reprovadores. Georges Bataille   Foucault observou, em vá­ri­as ocasiões, que Justine está para a modernidade como Dom Quixote para o barroco. Ao ler as relações entre o mundo e a linguagem à maneira do século XVI, isto é, pelo viés da semelhança, Quixote vê castelos nas estalagens e damas nas campo­ne­sas. Aprisiona-se, incons­cientemente, no mundo da pura representação; mas, como essa representação só tem por lei a similitude, a equação reveste a forma irrisória do delírio, tornando o herói uma simples personagem de um livro que não leu e cujo destino lhe é imposto, na galhofa, pelos outros. Em Justine assistimos ao momento de declínio desse mesmo movimento. Não se trata mais do triunfo irônico da representação sobre a semelhança, mas da violência do desejo, quebrando os limites da representação. Justine é um libelo contra os philosophes. Não defende nem o livre exame nem a liberdade de costumes, mas a servidão da razão aos desejos, ou seja, ao poder. Ao elaborar uma teoria da libertinagem, Sade é consciente de que os homens não são livres mas dependem do desejo (de um desejo). Como tal, o marquês tende uma ponte com a linha devassa e quebrada de Goya, graças à qual descobre-se o vazio do irrisório. Por isso, certamente, Lacan via, em Sade, o complemento de Kant. Aí onde o filósofo mandava abstrair o corpo e tomar o outro sempre como meio e nunca como fim, o moralista, pelo contrário, escolhia o outro sempre como objeto e jamais como fim altruísta. Talvez nessa crítica da Estética, como ciência universal do belo, se insinue uma reivindicação da Poética, como livre domínio da linguagem e dos afetos, uma questão absolutamente contemporânea. Raul Antelo

Sobre MarquêS

Donatien Alphonse François de Sade, o Marquês de Sade, foi um aristocrata francês e escritor libertino. Muitas das suas obras foram escritas enquanto estava na Prisão da Bastilha, encarcerado diversas vezes, inclusive por Napoleão Bonaparte.

Detalhes do livro

Título
Justine
Autor
MarquêS De Sade
Editora
Iluminuras
Ano
2026
Páginas
256 páginas
Idioma
PT
ISBN-13
9788573214543
Edição
1ª Edição - 2019
Formato
Brochura

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