Pular para o conteúdo
Literatura Estrangeira

A Filosofia na Alcova - Vol. 1

Indefinido256 páginasIluminuraspt
Seja o primeiro a avaliar
Sua leitura no Lireo

Guarde este livro na sua estante

Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.

Registre seu progresso de leitura
Descubra outros leitores do mesmo livro
Participe de clubes de leitura
Organize toda sua biblioteca

Sinopse

São verdades sombrias as que aparecem na obra dos autênticos poetas; mas são verdades e quase todo o resto é mentira. Paul Eluard   Em Sade são questionados, evidentemente, de maneira muito clássica, os fetiches sociais, reis, ministros, eclesiásticos, etc., mas também a linguagem, as formas tradicionais de escrita; a contaminação criminal chega a todos os estilos de discurso: o narrativo, o lírico, o moral, a máxima, o topos mitológico. Começamos a saber que as transgressões da linguagem possuem um poder ofensivo no mínimo tão forte quanto o das transgressões morais e que a poesia, que é a linguagem mesma das transgressões da linguagem, é assim, sempre revolucionária. Desse ponto de vista não só a escrita de Sade é poética como também Sade tomou todas as precauções para que esta poesia seja inflexível: a pornografia não poderá nunca recuperar um mundo que só existe em proporção a sua escrita e a sociedade não poderá nunca reconhecer uma escrita que está ligada estruturalmente ao crime.   Roland Barthes   Todos sabemos que, até os libertinos, filosofia nenhuma podia se passar de Deus, fundamento verdadeiro e último. Nem se punha a hipótese de uma república atéia, o que seria pressupor a vida em sociedade fora da virtude.   O que há de extraordinário com A filosofia na alcova (romance mais que clandestino, falsamente póstumo, já que seu autor não o publica, em 1795, ao que parece em Londres, sem antes tomar a precaução de fazer-se passar por morto), é que Sade já está aí no contrafluxo dos ideais republicanos. Noutras palavras, na revolução da revolução. As paixões criminosas tão apregoadas servindo de instrumento demolidor da própria república recém-instalada, como forma de auto-representação do mundo laborioso em marcha. Os excessos encenados criticando as liberdades formais que são prerrogativas do século burguês. O Marquês lançando, em suma, como “enfant du siècle” capaz de enxergar longe de seu próprio tempo de que é, inseparavelmente, o resultado e a negação, mais e melhores luzes sobre os limites das próprias Luzes. Derrubada que é, aliás, todo o segredo da famosa advertência no título do panfleto inserido entre o quinto e o sexto diálogos: “Franceses, mais um esforço...”   Há mais que sangue e esperma  no laboratório da alcova, espelho deformante da cidade, onde as posições de mando e submissão se distribuem francamente, de modo não apenas a se esclarecerem mas a serem pedagógicas. É o que explica o subtítulo, “Os preceptores imorais”, na tradução de Contador Borges. A erótica sadiana é uma desenfreada política, na ilustração da qual vamos encontrar, de quatro, na mesma posição dos amantes sodomizados, os atores da ordem que institui, longe de Deus, do cetro e do turíbulo, um mundo novo. Mundo que nem por isso deixa de tender maquiavelicamente ao despotismo que denuncia. Daí a necessidade de mais este passo à frente, que apenas Sade dá: a investidura insurrecional do vício, numa república sexualizada. Que não inaugura o terror, mas é inaugurada por ele.   Absolutamente central na obra de Sade, precursor de Freud, só pode ser bem-vinda esta nova tradução da Philosophie dans le boudoir , oriunda do trabalho universitário de um poeta. Mas o trabalho de Contador Borges não para aí. Mais que de tradução, trata-se de uma forma de recepção crítica de um grande clássico que, excetuada a contribuição de Eliane Robert Moraes, segue praticamente inabordado ou censurado entre nós. Leda Tenório da Motta

Sobre Marques

Donatien Alphonse François de Sade, o Marquês de Sade (Paris, 2 de junho de 1740 – Saint-Maurice, 2 de dezembro de 1814) foi um nobre, político revolucionário, filósofo e escritor francês famoso por sua sexualidade libertina. Suas obras incluem romances, contos, peças de teatro, diálogos e tratados políticos. Durante sua vida, alguns deles foram publicados em seu próprio nome, enquanto outros, que Sade negou ter escrito, apareceram anonimamente. Ele é mais conhecido por suas obras eróticas, que combinavam discurso filosófico com pornografia, retratando fantasias sexuais com ênfase na violência, sofrimento, sexo anal (que ele chama de sodomia), crime e blasfêmia (contra o Cristianismo). Ele era um defensor da liberdade absoluta, sem restrições de moralidade, religião ou lei. As palavras sadismo e sádico são derivadas em referência às obras de ficção que ele escreveu, que retratavam vários atos de crueldade sexual. Enquanto Sade explorava mentalmente uma ampla gama de desvios sexuais, seu comportamento conhecido inclui "apenas o espancamento de uma empregada doméstica e uma orgia com várias prostitutas — comportamento que diverge significativamente da definição clínica de sadismo". Sade era um defensor de bordéis públicos gratuitos fornecidos pelo Estado: a fim de evitar crimes na sociedade que são motivados pela luxúria e para reduzir o desejo de oprimir outros usando seu próprio poder, Sade recomendava bordéis públicos onde as pessoas poderiam satisfazer seus desejos.

Detalhes do livro

Título
A Filosofia na Alcova - Vol. 1
Autor
Marques de Sade
Editora
Iluminuras
Ano
2026
Páginas
256 páginas
Idioma
PT
ISBN-13
9788573210989
Edição
Indefinido
Formato
Brochura

Coleção

Outros livros da mesma coleção

Mais de Marques

Outros livros de Marques de Sade

Literatura Estrangeira

Livros na mesma categoria

Blog Lireo

Dicas e recomendações para leitores

Soluções institucionais

Para escolas, universidades, autores e editoras