Como ler clássicos da literatura sem sofrer
Clássicos intimidam. Linguagem difícil, contexto histórico distante, narrativa lenta. Mas há estratégias que tornam essa leitura não só suportável, mas prazerosa. Guia prático para iniciantes.
E a JurisprudêNcia da Corte Interamericana de Direitos Humanos
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O texto, ora apresentado em livro, tem caráter interdisciplinar, pois, aliando a Filosofia, em especial a Filosofia do Direito, com o Direito Internacional, em especial com o Direito Internacional dos direitos humanos, o autor analisa a possibilidade de uma Justiça baseada no chamado Direito Internacional do Reconhecimento. Para tanto, e do ponto de vista teórico, se vale principalmente de autores como Axel Honneth e sua Luta pelo Reconhecimento (que se vale a seu turno de Hegel), de Paul Ricoeur e seu Percurso do Reconhecimento e Emmanuelle Jouannet e seu O que é uma Sociedade Internacional Justa? O texto, sendo bastante enxuto, propicia ao leitor uma leitura fluida e acessível. Mas uma das grandes riquezas do trabalho se encontra nas notas de roda pé, nas quais podemos encontrar uma variedade de fundamentações teóricas e citações importantes que permitem apreciar, de forma ampla, as discussões em torno do conceito de Reconhecimento e sua relação com o Direito Internacional. Como indica Renan, já no início de seu texto, o reconhecimento "é aqui pensado como conceito chave para se compreender a constituição do indivíduo em sujeito de direito, garantindo-lhe, dentro de esferas institucionais, a concretização de sua autonomia". Partindo da teoria do reconhecimento social de Honneth, Renan coloca em relevo a dimensão moral dos conflitos, que se traduz na intenção do individuo em ser reconhecido em sua individualidade e não de, simplesmente, querer vencer o seu adversário. Nesse sentido, Jouannet, esclarece que o Direito Internacional é mobilizado para cobrir os deficit de reconhecimento em sociedades cada vez mais multiculturais, onde se tornam necessárias políticas de respeito às diferenças. Sendo assim, uma política de reconhecimento deve basear-se, inicialmente, no direito à diferença. A partir de uma análise teórica extremamente bem fundamentada, Renan concentra seu estudo no aspecto empírico de sua hipótese. Como diz o autor, "não é possível pensar a justiça de reconhecimento distante dos espaços institucionais". Nessas condições, Renan desenvolve a segunda parte do texto, a partir de uma análise rigorosa da Jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos visando verificar como se dá o exercício de uma justiça do reconhecimento a partir dos casos levados a essa Corte. Para tanto, propõe um estudo da interface do conceito de reconhecimento com as experiências de justiça ou injustiça vividas pelas vítimas. Cláudia Perrone-Moisés - Professora do Departamento de Direito Internacional e Comparado da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo
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