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Fino cronista da língua e da literatura, além de ficcionista renomado, Sérgio Rodrigues dedica-se em Escrever é humano a discutir engrenagens que movem a imaginação leitora. Sem ser exatamente um manual, o livro também está repleto de insights para quem escreve ou deseja escrever. Sérgio Rodrigues viu seu antigo projeto de escrever um livro sobre escrever, que vinha tocando sem pressa, ganhar uma urgência dramática: de repente, a inteligência artificial generativa tornava possível criar num instante um texto melhor que o da imensa maioria dos escribas humanos. Estaria a milenar tradição da escrita literária condenada a desaparecer? Em Escrever é humano , Rodrigues defende que escrever literatura é trabalho de gente, por mobilizar tanto a inteligência quanto outras dimensões da vida, intuição e desejo incluídos. Adepto da troca de passes, o autor de O drible passa a palavra a outros autores, de Anton Tchékhov a Clarice Lispector, de Jorge Luis Borges a Chimamanda Ngozi Adichie, além de revisitar livros clássicos sobre escrita. A questão da busca da “voz própria” é tratada com brilho, ao lado de aspectos técnicos como precisão vocabular, ritmo, pontuação, trama e pessoa narrativa. Erudito e cheio de humor, o livro se ocupa também de dimensões mais mundanas, como o impacto da escrita sobre a vida íntima de quem escreve (e vice-versa), e sociais, com sua carga ética e política.
SÉRGIO RODRIGUES nasceu em 1962. Mineiro que adotou o Rio de Janeiro, é autor dos romances O drible, livro do ano no prêmio Portugal Telecom (atual Oceanos), A vida futura, finalista do Jabuti, e Elza, a garota, além dos volumes de contos O homem que matou o escritor e A visita de João Gilberto aos Novos Baianos. Na não ficção, lançou Escrever é humano, Viva a língua brasileira! e, como organizador, Cartas brasileiras. Tem livros editados na Espanha, na França, em Portugal e nos Estados Unidos. Mantém desde 2016 uma coluna semanal sobre língua e linguagem na Folha de S.Paulo.
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