Os melhores livros sobre feminismo para todos os níveis de leitura
Do manifesto clássico ao ensaio contemporâneo, o feminismo tem uma biblioteca vasta e acessível. Uma seleção para quem quer entender o movimento que transformou o mundo.
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Quando uma mãe procura uma vidente com o intuito de antever o futuro de seus gêmeos, recebe a resposta: “Cousas futuras!”. Mas o que estaria reservado ao destino desses dois personagens idênticos e ao mesmo tempo tão diferentes? Enquanto aguardavam o futuro grandioso para a prole, Natividade e Santos gostariam que seus filhos fossem felizes e vivessem bem em família. Mas é verdade também que brigavam desde a barriga. Os irmãos Pedro e Paulo, gêmeos idênticos, personificam desde o início deste livro forças opostas em suas crenças pessoais. Apesar de nascidos sob a promessa de um futuro grandioso, a convivência beligerante desde o útero, tal um mito bíblico, evidencia que a convivência em família nem sempre tem tréguas. Narrado com a ironia fina de um diplomata, no período de transição da Monarquia para a República no Brasil, este livro mostra também a natureza de um país segmentado desde os seus primórdios. Em Esaú e Jacó, penúltimo romance de Machado de Assis, o autor leva ao limite os jogos de oposição que estruturam a vida social e os conflitos humanos, convidando o leitor a observar não só o jogo cego de repetições que estrutura uma sociedade, mas também a refletir sobre como essas mesmas repetições talvez simbolizem a própria condição humana. Mais do que protagonistas de um dilema familiar, Pedro e Paulo são alegorias da fragilidade de nossas certezas, representando rachaduras que marcam tanto relações íntimas quanto dilemas sociais. A edição da Antofágica deste clássico conta com mais de 50 ilustrações do artista Pedro Meyer, professor da UFRJ/EBA, além de apresentação do escritor Stefano Volp, autor de Homens pretos (não) choram e Santo de casa. Nos posfácios, Rogério Fernandes dos Santos, professor de teoria literária e literaturas de língua portuguesa da UEPB, analisa a complexa estrutura ficcional machadiana; Fabiane Guimarães, autora de Apague a luz se for chorar, faz uma conexão entre a personagem Natividade e a experiência materna; e Sidney Chalhoub, professor de história na Universidade de Harvard, traça um panorama sobre o contexto histórico brasileiro retratado por Machado de Assis. Ao escanear o QR Code na cinta, o leitor tem acesso a duas videoaulas de Raphael Valim, professor e pesquisador em literatura brasileira.
Machado de Assis (1839-1908) escreveu crônicas, contos, poesia, romances, matérias de jornal, peças de teatro, trabalhou em uma tipografia e foi funcionário público. Neto de escravizados, negro, nascido na periferia, mesmo sem acesso à educação formal percorreu um caminho raro de ascensão dentro da sociedade brasileira, antes mesmo da abolição da escravatura. Sua obra talvez seja um dos melhores caminhos para conhecer o homem que, sem nunca ter saído do Rio de Janeiro, alcançou a profundidade na literatura mundial e a popularidade com que muitos artistas sonham.
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