Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
Ambiente importa tanto quanto disciplina para criar o hábito de leitura. Pequenas mudanças no espaço físico aumentam drasticamente o tempo que você passa com livros nas mãos.
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A série dos Ensaios de Peter Handke, que começou a ser publicada em 1989, é formada por textos que mesclam memórias, reflexão e invenção literária. Transitando entre a autoficção e o gênero ensaístico, o autor ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 2019 apresenta seu olhar sobre o cotidiano, colocando em evidência a linguagem e o tempo. Em seu Ensaio sobre a jukebox, Handke foge de qualquer cronologia linear e de processos de narrativa convencionais. Por sucessivas sobreposições, o autor compõe uma metafísica da escrita que deságua na leitura de uma realidade que se torna irreal de tão premeditadamente elaborada. A busca do protagonista pela jukebox o leva a vários lugares e períodos e, a cada vez, representa a impossibilidade de abraçar a realidade e de fazer coincidir a vida interna com a experiência do mundo. O autor rege a ópera a partir de sua escrivaninha (tendo como ferramentas apenas papel e lápis) no quarto de hotel em Soria, pequena cidade no interior da Castela espanhola. O embate entre a jukebox e a escrivaninha acaba sendo o real enredo deste ensaio em que Handke abre a caixa de Pandora de sua escrita.
Peter Handke, nascido em 1942, é austríaco de mãe eslovena, e vive hoje em Chaville, nos arredores de Paris. Está entre os mais importantes escritores e dramaturgos de língua alemã. Exímio estilista da linguagem literária, recria sem cessar sua escrita e se recoloca sempre como autor. Handke publicou dezenas de obras, entre elas várias que marcaram época, como a peça Kaspar (1968), as novelas ensaísticas Tarde de um escritor (1987), Ensaio sobre o cansaço (1989) e Ensaio sobre a jukebox (1990), e os romances A mulher canhota (1976), Meu ano na baía de ninguém (1994)m Numa noite escura, deixei minha casa silenciosa (1997) e A noite moraviana (2008). Mantém uma duradoura parceria com o cineasta Wim Wenders, com quem assinou os roteiros de O medo do goleiro ante o pênalti (1972) e Asas do desejo (1987). Dirigiu ele mesmo uma versão cinematográfica de A mulher canhota. Em 2019, foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura. Dele, esta editora também publicou Don Juan (narrado por ele mesmo), em 2007, e A perda da imagem ou Através da Sierra de Gredos, em 2009.
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