Como ler mais rápido sem perder a compreensão do texto
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Dando continuidade à publicação das tragédias de Sófocles, Ateliê Editorial e Mnema trazem ao público duas novas tragédias: Édipo Rei e Antígona. Características notáveis da Grécia antiga são o culto dos Deuses e o enorme prestígio de santuários oraculares, onde se revelavam o porvir e o desconhecido em resposta a consultas de governantes e de particulares. Nesse contexto cultural se desenrola a surpreendente e assustadora trajetória do herói Édipo. O rei de Tebas, Laio, certa vez ao consultar o oráculo de Delfos obteve uma resposta terrível: teria um filho que mataria o pai e esposaria a mãe. Quando lhe nasceu o filho, Laio se lembrou do oráculo e, apavorado, atou o bebê pelos pés e entregou-o a um servo para que o expusesse à morte no monte Citéron. O servo, porém, compadecido, o entregou a um outro pastor que, por sua vez, o conduziu ao seu rei, em Corinto. O rei de Corinto, por não ter filhos próprios, adotou a criança e lhe deu o nome de Édipo. Já adulto, Édipo decidiu consultar o oráculo de Delfos a respeito de sua origem, e em resposta ouve que ele mataria seu pai e esposaria sua mãe. Édipo, para evitar que a profecia se cumprisse, foge de Corinto. Em sua perambulação errática, encontra a Esfinge que às portas de Tebas propunha um enigma aos transeuntes e devorava quem não o decifrasse. Édipo adivinha o enigma, salva a cidade do monstro e, em recompensa pela salvação da cidade, casa-se com a rainha viúva do rei de Tebas, Laio, que recentemente em uma viagem ao estrangeiro tinha sido morto por não se sabia quem. O mito de Édipo encontra sua mais célebre realização na tragédia Édipo Rei, ou Édipo em Tebas, de Sófocles, que a Ateliê Editorial, em parceria com a editora Mnema, oferece ao público leitor na tradução poética de Jaa Torrano em primorosa edição bilíngue. São notáveis a musicalidade e o jogo de imagens que a tradução preserva ao transpor para o português as virtudes estilísticas do texto grego. Acompanham a tradução os esclarecedores estudos de Jaa Torrano e de Beatriz de Paoli, além de um oportuno glossário de teônimos, antropônimos e topônimos. [JOSÉ DE PAULA RAMOS JR.]
Sófocles (Atenas, 496 a.C. – Atenas, 406 a.C.) é considerado um dos grandes representantes do teatro grego antigo e presenciou o período de maior desenvolvimento cultural de Atenas. Viveu sempre nesta cidade-estado e lá morreu, nonagenário, por volta de 406/405 a.C. É o segundo dos três poetas trágicos canônicos, pois suas obras são posteriores às de Ésquilo e anteriores às de Eurípedes. Foi ainda em vida o mais bem-sucedido autor de tragédias do século V a.C. e os testemunhos antigos atribuem ao autor cerca de 120 tragédias e dramas satíricos, dos quais somente sete tragédias chegaram até nós na íntegra.
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