Distopias literárias: os livros que previram (e alertaram sobre) o futuro
De 1984 a Jogos Vorazes, a ficção distópica é o gênero que mais acerta sobre o futuro. Uma análise de como esses livros moldaram o debate político e social.
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Este livro é uma declaração de guerra ao racismo, ao colonialismo e à pomposa hipocrisia de intelectuais e políticos a serviço do capitalismo. Escrito por Aimé Césaire, pensador político que foi também um dos maiores poetas da língua francesa no século XX, criador do conceito de negritude, Discurso Sobre Colonialismo é um monumento de elegância, ironia e fúria em forma de texto. Lançado originalmente em 1950, na França, a obra teve enorme influência na luta anticolonialista contra a dominação europeia, inspirou líderes do movimento pan-africano e dos Panteras Negras, é uma referência para Frantz Fanon e Raoul Vaneigem, entre outros autores. Talvez até mais atual hoje do que quando foi lançado, este livro demonstra que o fascismo é filho do colonialismo. Que o racismo é ferramenta fundamental da exploração capitalista. Que Hitler vive em cada burguês. No Brasil de hoje, ajuda a entender que a mais recente emersão do fascismo, com toda sua brutalidade, ignorância e racismo, é menos uma reação a avanços nas questões sociais, que resultado da brutalidade do capitalismo em sua luta constante para preservar a infame desigualdade social. Uma obra fundamental, urgente para nossos tempos, numa edição ilustrada por Marcelo D’Salete e traduzida por Claudio Willer. Com notas explicativas e uma cronologia da vida, obra e combates de Aimé Césaire.
Nascido na Martinica, em 1913, Aimé Césaire foi, segundo o Le Nouvel Observateur, o “Victor Hugo do século XX (...) um homem de palavras e um homem de combates”. Para muitos, é o maior poeta de língua francesa no século XX. O surrealista André Breton definiu a obra poética de Césaire como “o maior monumento lírico do nosso tempo”. Ao mesmo tempo, Césaire foi um líder político e um pioneiro da “negritude”, termo, aliás, criado por ele próprio. Participou ativamente da articulação dos movimentos de descolonização africanos, foi deputado da Assembleia Francesa por cinco décadas e, pelo mesmo tempo, prefeito de Port-de-France, capital da Martinica. Césaire morreu em 2008. Hoje ele é nome do aeroporto de Port-de-France e de uma estação de metrô em Paris e de diversos museus, ruas, praças, escolas e bibliotecas, tanto na Martinica quanto na França.
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