Como manter a concentração durante a leitura na era das distrações
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Escrito em um momento chave do Brasil – às vésperas do golpe empresarial-militar de 1964 – a questão central que organiza a reflexão de Furtado em Dialética do Desenvolvimento é a contradição entre as classes dominantes brasileiras e o projeto de desenvolvimento nacional. Este, que era visto como expressão de uma racionalidade econômica, passa a ser visto como dependente da luta de classes sob condições periféricas, isto e, com classes em formação e com um processo de politização exacerbado pela importância que o Estado adquire na definição das novas estruturas econômicas. Mais do que isso, Furtado apresenta uma primeira conclusão de grande alcance: ao se unificarem para controlar o Estado e buscar exercer o monopólio do poder, as classes dominantes realizam uma ruptura com o projeto de desenvolvimento nacional. Poder-se-ia expressar de outra maneira: o projeto de desenvolvimento nacional não representava mais o conjunto dos interesses das classes dominantes. A sua unidade transforma-se no principal obstáculo ao desenvolvimento nacional.
Celso Furtado (Pombal/PA, 26/7/1920-20/11/2004, Rio de Janeiro) – Economista que investigou a dinâmica do subdesenvolvimento do Brasil pela Cepal e realizou grandes projetos a frente da gestão de instituições públicas, como BNDES, criação da Sudene e participação de ministérios do Planejamento (1962-64) do governo João Goulart e da Cultura (1985-90) do governo José Sarney. Dentre suas principais obras, destacam-se: Formação econômica do Brasil (1959), Desenvolvimento e subdesenvolvimento (1961) e Dialética do desenvolvimento (1964).
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