Literatura africana contemporânea: vozes que o mundo precisa ouvir
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Introdução à edição brasileira de Desigualdade Duradoura, de Charles Tilly Charles Tilly, meu falecido pai, e mais conhecido pelas pesquisas sobre a formação do estado e da guerra, protesto e movimentos sociais, confronto político de modo mais amplo e os processos sociais que sustentam a democracia. Entretanto, por toda a sua vida, ele também se preocupou muito com a desigualdade. O primeiro protesto a que ele me levou, ainda criança – o primeiro de muitos – foi uma manifestação pela igualdade dos negros no início da década de 1960 que incluiu um discurso de Martin Luther King Jr., o mais conhecido líder do Movimento por Direitos Civis nos Estados Unidos. Em Desigualdade Duradoura ele pôs esse interesse em funcionamento. Tenho uma teoria sobre o motivo que levou Charles Tilly a escrever este livro. Em 1994, depois de concluirmos um amplo ensaio intitulado “Capitalist and Labor Markets” (Tilly & Tilly, 1994), Chuck, como os mais próximos o chamavam, propôs que ampliássemos o ensaio, transformando-o num livro sobre trabalho. Essa colaboração resultou numa obra em coautoria, Work under Capitalism (Tilly e Tilly, 1998). Ele ficou empolgado pelo fato de eu estar naquela época realizando uma pesquisa e escrevendo sobre a desigualdade racial na contratação – e especialmente sobre as desvantagens dos homens negros no emprego nos Estados Unidos – e esperava que pudéssemos trabalhar juntos analisando e teorizando sobre os processos sociais que produziam a desigualdade. No final das contas, minha pesquisa sobre esse tema caminhou mais lentamente do que eu esperava. Só consegui transformar minha investigação sobre desigualdade racial em livro em 2001 (Moss & Tilly, 2001). Consequentemente, Work under Capitalism incorporou apenas algumas discussões preliminares sobre esse assunto. Mas, como observou Ernesto Castaneda-Tinoco, aluno de doutorado de Chuck (e hoje professor da American University), numa homenagem após a morte de meu pai em 2008, “Em vez de esperar que o texto atingisse a ‘perfeição’, essa meta inatingível, ou pensar que tinha a última palavra sobre o assunto, Chuck queria publicar logo para ser contestado (ou apenas parcialmente confirmado), e assim tornar suas ideias aperfeiçoáveis. Com efeito, por que esperar que outra pessoa corrigisse seus modelos? Ele frequentemente recuava e aprimorava suas ideias anteriores. Exemplo disso e a história que gostava de contar sobre como seu primeiro livro foi uma refutação de sua própria dissertação.” Quando se tornou claro que Work under Capitalism não iria apresentar uma teoria da desigualdade categórica, ele se pôs a desenvolver sua própria teoria no seu próprio ritmo. Começou a formular as ideias em 1995, numa série de palestras na Universidade da California em Los Angeles, e depois as transformou no livro Desigualdade Duradoura. Essa obra compartilha muitas características com seus melhores trabalhos anteriores. Ela oferece um modelo parcimonioso que consiste em dois processos centrais, a exploração e a acumulação de oportunidades, e dois adicionais, a emulação (difusão e reprodução de estruturas da desigualdade) e adaptação (a moldagem de outros processos sociais para complementa-la e reforçá-la). Ele define esses termos cuidadosa e rigorosamente. Ele situa sua analise em relação a outras abordagens teóricas e se envolve em polemicas intelectuais vigorosas – neste livro, especialmente contra explicações que usam metodologias individualistas da desigualdade categórica. Em última análise, porém, ele dedica sua energia principalmente para explicar, elaborar e ilustrar seu próprio modelo, não para criticar os de outros. Para ilustrar e fundamentar sua teoria com dados concretos, ele se baseia numa compilação psicodelicamente ampla de contextos, dimensões e exemplos específicos da desigualdade. E faz tudo isso num estilo descomplicado com uma boa dose de humor. Seria possível dizer que Desigualdade Duradoura apresenta uma teoria substancial da desigualdade categórica? Isso deve ser avaliado por uma comunidade mais ampla de intelectuais, mas permitam-me oferecer algumas observações – começando por recorrer a essa comunidade. Creio que o livro que escrevi com Philip Moss sobre a desigualdade racial no trabalho, Stories Employers Tell, e muito bom; e meu trabalho mais mencionado, com mil citações no Google Scholar no início de 2025. Em comparação, Desigualdade Duradoura conta com 5.400 citações – 1.600 a partir de 2020. Trata-se de um vigoroso voto de confiança! Em minha visão, o livro e uma teorização robusta e rigorosa que se anseia no conceito de exploração de Marx e no de fechamento social de Weber, mas mostra mais claramente como esses conceitos podem ser ampliados para oferecer uma explicação convincente e geral de muitas formas de desigualdade categórica, como elas surgem, se espalham e podem terminar. A simplicidade introdução a edição brasileira de desigualdade duradoura | 21 e a generalidade do modelo significam que ele está mais bem equipado para exp
Charles Tilly nasceu em Lombard, Illinois, em 27 de maio de 1929 e estudou na Universidade Harvard, onde obteve o bacharelado magna cum laude, em 1950 e o doutorado em sociologia, em 1958. Também estudou no Balliol College na Universidade Oxford e na Universidade Católica de Angers, na França. Antes de chegar à Universidade de Columbia, em 1996, Tilly foi professor das Universidades de Delaware, Harvard, Toronto, Michigan e na New School for Social Research. Foi membro da Academia Nacional de Ciências, da Academia Americana de Artes e Ciências, da Sociedade Filosófica Americana, Associação de Pesquisa Sociológica e da Ordre des Palmes Académiques. Diante de seus interesses teóricos e empíricos, Tilly escreveu amplamente sobre metodologia de pesquisa. Seus textos trabalham com epistemologia, a natureza da causalidade, análise de processos, o uso da narrativa como método de explicação histórica, explicações baseadas em mecanismos, análise contextual, etnografia política, métodos quantitativos na análise histórica e sociologia econômica.
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