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A PolíTica LinguíStica na Literatura Africana
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Nas primeiras páginas deste livro, Ngugi wa Thiong o esclarece: é o último que pretende escrever em inglês — língua na qual vinha produzindo até então. É uma decisão política. Se, durante os séculos 18 e 19, a Europa roubava da África para abastecer casas e museus, no século 20 ela se apropria da sua intelectualidade, pois os autores africanos, mesmo com a independência dos seus países, seguem escrevendo no idioma do colonizador. Descolonizando a mente é, assim, um manifesto de um dos maiores nomes da literatura africana, frequentemente cotado ao Prêmio Nobel, a favor de uma produção acessível a toda a população e um incentivo para se pensar sobre língua e identidade, apagamentos e estruturas de poder.
Ngugi wa Thiong'o (1938-2025) foi um escritor, professor universitário e dramaturgo queniano, considerado uma referência na literatura africana; autor de romances, peças de teatro, contos e ensaios, versou da crítica social à literatura infantil. Parte dos seus títulos foi escrita em inglês, até que ele tomou a decisão política de escrever apenas na língua gikuyu. Além da atuação literária, teve importante participação na luta de libertação do Quênia.
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