Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
Ambiente importa tanto quanto disciplina para criar o hábito de leitura. Pequenas mudanças no espaço físico aumentam drasticamente o tempo que você passa com livros nas mãos.
Arquitetura para Colorir
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No mundo imaginativo de cada um, as "paisagens da memória", na expressão cunhada pelo autor-artista Luis Kehl, são definitivamente únicas e pessoais: a cada "leitor-pintor" deste livro é oferecido um universo de possibilidades arquiteturais sob cores invisíveis. Será no exercício de nostalgias afetivas que a arquitetura incolor de Kehl se desbravará sob tonalidades ecléticas, multicores, inusitadas. É quando a arte de um se fortalece na intervenção do outro. Novo título do gênero "livros de colorir" da Estação Liberdade, Cores invisíveis é uma viagem que se inicia por paisagens estranhamente planas, bidimensionais, fachadas que nos olham mudas com suas fisionomias geométricas, interrogativamente. Aos poucos os desenhos ganham profundidade, ganham personalidades próprias que se abrem ao diálogo: uma fábrica, um farol, a velha tulha da fazenda da infância, lembranças da casa de Monsieur Hulot... Até se transformarem em verdadeiros cenários, urbanos ou rurais, gravitando entre a São Paulo do início do século XX com seus trilhos de bonde e a vida bucólica da aldeia retratada por Militão em 1860.
Arquiteto de formação, Luis Kehl é construtor de uma arquitetura que está presente num território de sonhos e divagações. Observando a permanente destruição dos patrimônios construídos que dão lugar e passagem a um progresso mais do que duvidoso, ergueu dentro de si uma arquitetura intocável, indestrutível, feita para perpetuar-se além da sanha demolidora dos homens. Sobre estas paisagens que conservam eternamente o ambiente e as sensações de uma viagem interior, permite-se repousar como um guardião de tesouros nunca antes mostrados. Seu olhar curioso e atento continua buscando, quem sabe um detalhe, quem sabe um fragmento, quem sabe o que por descuido restou das coisas erguidas no passado, ou mesmo projetadas num presente e num futuro, mas que só existem para aqueles que insistem em que o etéreo é, às vezes, mais real, mais permanente do que o concreto.
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