As melhores biografias e memórias que vão mudar sua visão de mundo
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Kit com dois livros fundamentais para compreender o pensamento e vida do psicanalista Hélio Pellegrino. Completo e complexo, Hélio foi um psiquiatra, psicanalista, escritor, poeta e ativista político que deixou marca indelével em todos aqueles com quem conviveu. Embora publicada após sua morte, A burrice do demônio não é exatamente uma obra póstuma, tendo sido organizada pelo próprio Hélio antes de falecer, em março de 1988. Reunindo 59 textos publicados na grande imprensa carioca e paulista, sobretudo no Jornal do Brasil e na Folha de S.Paulo , esta coletânea surpreende pela capacidade de antevisão de Pellegrino, uma vez que os temas abordados continuam na ordem do dia, assim como seus comentários sempre profundos, argutos e de irretorquível lucidez. Longe de trazer uma nostálgica visão do Brasil de fins do século XX, este livro instiga reflexões ainda muito atuais acerca dos dilemas e dos paradoxos que convulsionam nosso país neste novo milênio. Em Hélio Pellegrino, meu pai , o seu caçula João, narra de forma sensível, com humor e ternura, suas memórias da infância com seu pai, médico psiquiatra, psicanalista, escritor, cronista, poeta e militante político. Hélio Pellegrino foi uma das peças fundamentais da vida nacional durante os "anos de chumbo". Fez parte da Comissão dos Cem Mil, formada na antológica passeata de mesmo nome para levar as reivindicações populares ao marechal Costa e Silva. Foi preso, porém não se acovardou, persistindo na luta contra as injustiças sociais, o que o levou a criar (juntamente com Kattrin Kemper) a Clínica Social de Psicanálise Anna Kattrin Kemper e, mais tarde, a integrar a ala dos intelectuais durante a criação do Partido dos Trabalhadores, bem como a participar da Comissão Teotônio Vilela para as Prisões, do grupo Tortura Nunca Mais. Figura pública exemplar, Hélio Pellegrino foi também um homem de grandes paixões e pai de sete filhos. João nos revela o lado íntimo deste personagem ímpar que ajudou a moldar o Brasil da segunda metade do século XX.
Hélio Pellegrino (1924-1988) integrou o grupo “Os quatro mineiros”, do qual faziam parte também Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende, escritores que se radicaram no Rio de Janeiro e acabaram se tornando mais cariocas do que muitos nativos. Começou a publicar poesia aos dezesseis anos, porém sua obra poética só seria reunida em livro postumamente, na coletânea Minérios domados (Rocco, 1993). Manteve correspondência com Mário de Andrade e participou ativamente da cena literária da época, inclusive das duas edições do Congresso Brasileiro de Escritores, em 1945 e 1985. Depois da mudança para o Rio, em 1952, passou a colaborar regularmente com a imprensa e, nas três décadas seguintes, publicou artigos e ensaios em jornais e revistas como O Globo, Jornal do Brasil, Correio da Manhã, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo, Jornal da República, Flan, Percurso, Gradiva, Labor do Brasil, Playboy e O Pasquim. Um dos fundadores da UDN (União Democrática Nacional), em 1944; da Esquerda Democrática, em 1946; e do PT (Partido dos Trabalhadores), em 1980, foi preso durante o regime militar, mas nunca esmoreceu na lida política, participando ainda da Comissão Teotônio Vilela do Grupo Tortura Nunca Mais, em 1983. Tudo isso sem jamais descuidar da prática psicanalítica, na qual se notabilizou pelo empenho em conceder acesso ao tratamento psicanalítico às camadas desfavorecidas da população por intermédio da Clínica Social de Psicanálise Anna Kattrin Kemper, que criou em parceria com a doutora Kattrin Kemper em 1973. Faleceu em 1988, deixando sete filhos de seu casamento com Maria Urbana Pentagna Guimarães, entre os quais João, o caçula, autor de Hélio Pellegrino, meu pai (Rocco, 2025).
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