Distopias literárias: os livros que previram (e alertaram sobre) o futuro
De 1984 a Jogos Vorazes, a ficção distópica é o gênero que mais acerta sobre o futuro. Uma análise de como esses livros moldaram o debate político e social.
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EXPECTATIVA VS REALIDADE. Antes da virada do século 19, as ideias propostas por Marx e Engels sacudiam no mundo as certezas sobre quais seriam os melhores caminhos para progresso das nações e bem estar das pessoas. No entanto, até então, as ideias socialistas não passavam de teses não testadas. Eugene Richter foi um visionário. Muito antes de Orwell, Aldous Huxley e Zamiatin (Nós) ele escreveu uma distopia que capturou com visão profética o que aconteceria com a Alemanha sob os efeitos de um controle socialista. Na obra, a voz do narrador está cega por lealdade ideológica, mas mostra o dia a dia de experiências pessoais, descrevendo cada momento do novo sistema e o que ele impõe sobre toda a população. À espera de um mundo com menos desigualdades e mais harmonia, o narrador suporta tudo, enquanto percebe a vida real piorando, e todas as esperanças sendo destruídas. Mas então chega o momento em que as contradições falam por si... E ele constata que é tarde demais para mudar. No início do livro, lançado há mais de 100 anos, tudo parece distante de nosso tempo... até sermos apanhados reconhecendo as histórias que se repetem com novas gerações. Estranhamente, esta obra permaneceu por décadas esquecida, ignorada, e como diz um preceito filosófico: um povo que não conhece os erros do passado está fadado a repeti-los.
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EUGENE RICHTER (1838-1906) foi político, jornalista alemão e um dos principais defensores do liberalismo. Em 1856, começou a estudar Direito e Economia, e frequentou as Universidades de Bonn, Berlim e Heidelberg, formando-se em 1859. No mesmo ano, tornou-se defensor do livre comércio, da economia de mercado e do estado de direito, e trabalhou como funcionário público do judiciário. Suas opiniões liberais causaram problemas com a burocracia estatal, então, deixou o serviço público e tornou-se correspondente parlamentar, em Berlim. Richter era crítico das políticas de Otto von Bismarck, como também do Partido Nacional Liberal e do Social-democratas. Em 1885, ele fundou o jornal liberal (Freisinnige Zeitung), contribuindo como editor-chefe até 1904.
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