Livros essenciais sobre racismo e antirracismo para entender o Brasil
Para combater o racismo, é preciso primeiro entendê-lo. Uma seleção de obras que revelam como o racismo estrutural moldou, e continua moldando, a sociedade brasileira.
Relatos sobre Mulheres
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Cadeia , de Debora Diniz – famosa defensora dos direitos reprodutivos –, retorna em edição revista e ampliada com prefácio inédito da autora. O ano era 2014. Durante seis meses, Debora Diniz acompanhou a chegada de mulheres à Penitenciária Feminina do Distrito Federal. O Núcleo de Saúde da instituição foi escolhido como seu espaço de escuta. De um banquinho, não fazia perguntas: anotava em um caderno o que as mulheres contavam às médicas, psicólogas e assistentes sociais. Como na cadeia a vida muda devagar, a vida de dez anos atrás ainda é parecida com a de agora. Os relatos deste livro são instantâneos de vidas comuns, crônicas sobre mulheres esquecidas atrás dos muros de uma prisão. Há humor, ternura, mas também muito sofrimento. E se na cadeia as mulheres precisam se reinventar para sobreviver, neste livro é feito um experimento: a escrita segue o rigor do método científico pela técnica de observação, porém não é um texto acadêmico frio, repleto de citações. As narrativas apresentam o que há de mais íntimo em cada mulher presa e nos permite construir um retrato da população carcerária feminina no Brasil. Encontramos, então, mulheres muito jovens, negras, pobres, com filhos. Elas conheceram o maquinário punitivo ainda na infância ou na adolescência, em unidades socioeducativas de internação. Caíram no crime pelo mercado das drogas. Em dia de visita, se deparam com uma fila tímida, se comparada à dos presídios masculinos. A maior parte das mulheres presas já foi visitante de companheiro, pai ou filho no presídio masculino. Elas, porém, têm apenas o abraço de amigas e de mulheres da família. Publicado originalmente em 2015, Cadeia retorna em edição revista e ampliada, com prefácio inédito da autora. Além de reunir histórias que nos envolvem, o livro tem o mérito de apresentar dados importantes para a formulação de políticas públicas que promovam dignidade às mulheres encarceradas e ampliem oportunidades para meninas que vivem em contextos sociais vulneráveis. E ainda revela outra forma de escrita acadêmica, mais humana, em que rigor científico, ativismo e cuidado tecem cada linha.
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