Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
Ambiente importa tanto quanto disciplina para criar o hábito de leitura. Pequenas mudanças no espaço físico aumentam drasticamente o tempo que você passa com livros nas mãos.
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Este livro tematiza o recente acesso dos Hupd’äh da região do Alto Rio Negro (AM) à rede socioassistencial e ao Programa Bolsa Família (PBF). Por um lado, realizo o exame da elaboração e execução dessas políticas públicas a partir das articulações interinstitucionais envolvendo a antiga Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), por outro, investigo a relação dos Hupd’äh com a burocracia na cidade de São Gabriel da Cachoeira (AM). Trata-se de um exercício etnográfico que visa problematizar a disposição anárquica e pouco protocolar dos Hupd’äh, conforme descrito em parte da literatura etnológica, além do entendimento da administração do Estado como uma entidade regrada sobretudo pela impessoalidade, ocupada com a indiferenciação dos cidadãos, apesar de políticas com fundo multicultural. -*-*-*- Uma etnografia densa, como exige toda boa antropologia, mas com o raro talento de não ser tediosa. “Cadê a identidade? Documentos e benefícios sociais entre os Hupd’äh do Alto Rio Negro” torna absolutamente envolvente a descrição de uma zona de contato labiríntica criada pelo encontro dos povos Hupd’äh e Yuhupdëh e a burocracia estatal responsável pela concessão de benefícios sociais para “erradicar a pobreza”. Atraídos pela possibilidade de receber dinheiro e assim comprar mercadorias que não existem na floresta, os Hupd’äh encarnam um drama típico de Josef K ao se depararem com um arsenal de senhas e papéis enigmáticos: CPF, título de eleitor, certidão de nascimento, dentre outros documentos que são cobrados diariamente pelos órgãos públicos. Descobrem à duras penas que para ter dinheiro é preciso virar cidadão e que tornar-se cidadão tem custos e requer paciência. Este livro é imprescindível para nos lembrar que consecutivamente à luta pela terra, inaugura-se uma luta pelos papéis. — Cristhian Teófilo da Silva, Antropólogo, professor titular do Departamento de Estudos Latino-Americanos da Universidade de Brasília (ELA – UnB)
Rafael Moreira Serra da Silva é doutor em Antropologia Social pelo Museu Nacional (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Desde 2015, realiza pesquisas em São Gabriel da Cachoeira (AM), em colaboração com o povo Hupd’äh (família linguística Naduhupy), com ênfase nas relações assimétricas. Também investiga ações afirmativas e coletivos negros. Possui experiência em projetos de salvaguarda cultural, manejo e proteção territorial, além de políticas de proteção social para povos indígenas e comunidades tradicionais.
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