Mangás e graphic novels: por onde começar e por que ler
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ConfissõEs Sexuais de um Jovem Escritor
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Não existe tema mais assustador no campo das afirmações da sexualidade masculina do que a brochada. Há homens que dizem que nunca brocharam. Outros discutem sobre o conceito de brochada para ver se escapam. Para os homens a brochada é o medo dos medos e a vergonha das vergonhas. Algum psicanalista disse que o grande pavor de qualquer homem é que uma mulher ria dele. Mesmo que as mulheres não riam das brochadas dos brochas, eles continuam presos ao seu pavor e ao imperativo da ereção ao qual estão condenados. A milagrosa pílula azul não é um evento geracional! A brochada é uma verdadeira manifestação performática da impotência, e os homens aprenderam que na impotência sexual eles estão falidos como um todo. Só um escritor que sabe fazer piada consigo mesmo poderia inventar um livro desses brincando com uma coisa que, para a grande maioria, é bem séria. Brochadas é literal, Jacques Fux conta histórias com aquele jeito de quem, ao falar da vida, faz uma piada. Morre-se de rir enquanto, ao mesmo tempo, fica-se a pensar... Por outro lado, Fux sabe usar sua erudição para nos deixar confusos. Entendemos logo no começo do livro que a brochada é uma metáfora da vida. Brochar é universal. Brochar faz parte da história e da filosofia, faz parte da literatura e da política. De certo modo, até mulheres brocham, mas isso não invalida a brochada masculina, pois a brochada das mulheres é apenas um jeito de solidarizar-se com aquilo que, nos homens, é da ordem da desgraça. Fux não poupa o seu narrador/ensaísta das duras análises das personagens/ex-namoradas, aquelas mulheres que foram construídas e desconstruídas no ato mesmo do acerto de contas literário. Esse conjunto de brochadas antológicas é também um ensaio. Nele há uma confusão boa, um misto de descrição com corajosa reflexão que deixa um leitor feliz tentando descobrir se, o que ele pensava que fosse, era mesmo. Duvido que alguém broche depois de ler esse livro. Se brochar, será de tremendo prazer.
Jacques Fux é escritor e crítico literário. Recebeu o Prêmio São Paulo de autor estreante pelo romance Antiterapias e o Prêmio Capes de Melhor Tese de Letras pela versão original do seu livro Literatura e matemática: Jorge Luis Borges, Georges Perec e o OULIPO. Doutor em Literatura Comparada pela UFMG, foi pesquisador visitante na Universidade de Harvard e escritor residente na Ledig House, em Nova York. Em 2014, recebeu uma Menção Honrosa no Prêmio Cidade de Belo Horizonte de Literatura pelo manuscrito de Brochadas.
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