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O romance Memórias póstumas de Brás Cubas, as primorosas crônicas em que Machado comenta as encenações políticas do "barro humano" e um rigoroso mapeamento sociológico do universo machadiano - eis os três objetos destes estudos que elucidam traços fundamentais do grande ficcionista da literatura brasileira e mundial. Alfredo Bosi apresenta uma abordagem compreensiva e multifacetada de Machado, calcada em rigorosa pesquisa histórica, mas sempre ciente da autonomia literária. Em ensaios independentes, mas que ao mesmo tempo se iluminam mutuamente e se completam, Bosi instiga o leitor a enveredar por reflexões próprias, como, por exemplo, vincular o tom "amargo e áspero" das memórias do defunto-autor ao "veio de inconformismo" que o crítico vê cintilar no olhar do cronista debruçado sobre a tragicomédia política com os entreatos de barbárie. Ou então explorar as riquezas teóricas do ensaio final, que, ao expandir o confronto crítico com uma das "três versões de Brás Cubas", acarreta-lhe retrospectivamente novos subsídios.
ALFREDO BOSI nasceu em São Paulo, em 1936. Cursou letras neolatinas na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e estudou filosofia da renascença e estética na Facoltà di Lettere de Florença. Lecionou literatura italiana na USP, onde defendeu doutoramento sobre a narrativa de Pirandello e livre-docência sobre poesia e mito em Leopardi. De 1996 a 1999, Bosi foi professor convidado na École des Hautes Études en Sciences Sociales e, entre 1997 e 2001, diretor do Instituto de Estudos Avançados. Em 2003, tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras e, em 2009, recebeu o título de professor emérito de literatura brasileira da USP. É autor, entre outros livros, de O pré-modernismo (1966), História concisa da literatura brasileira (1970), O conto brasileiro contemporâneo (1975), O ser e o tempo da poesia (1977), Céu, inferno (1988), Dialética da colonização (1992), Literatura e resistência (2002), Brás Cubas em três versões (2006) e Ideologia e contraideologia (2010), os três últimos pela Companhia das Letras. Faleceu em 2021, em São Paulo.
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