Os melhores livros de suspense e thriller para não conseguir dormir
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A política no sentido clássico do termo refere-se à condição humana para além das necessidades materiais. O espaço público – a ágora – é o lugar da liberdade, da igualdade e da infinitude. Ao contrário, a casa – o oikos – é o lugar da necessidade, é onde se desenrolam os fatos materiais inerentes à nossa finitude: o trabalho e a fadiga do corpo, a reprodução, a saúde e a morte. A biopolítica coloca no coração da política aquilo que usualmente está nos seus limites: o corpo e a vida. Vista assim, a biopolítica reintroduz o outro excluído da política. Como diz Thomas Lemke, nem a política nem a vida são aquilo que eram antes do advento da biopolítica. As características dos seres humanos são agora medidas, observadas e compreendidas de modos que não se pensava antes. Lemke mostra como nossa compreensão dos processos da vida, da organização das populações e a necessidade de “governar” indivíduos e coletividades por meio de práticas de correção, exclusão, vigilância e disciplinamento. O livro mostra como nos encontramos hoje diante de uma verdadeira polarização ligada à fusão da vida e da política provocada pela biopolítica. Por um lado, um naturalismo da política toma a vida como a base da política. Ele vai das teorias organicistas do Estado às biologias racistas dos supremacistas e da extrema direita. Por outro lado, a concepção politicista considera a biopolítica como um domínio de práticas ou uma subdisciplina da política. A linha politicista possui duas formas: a biopolitica ecológica, que visa unir a política à preservação e à proteção do ambiente natural, e a biotecnologia, mais interessada no desenvolvimento e na expansão produtivista da vida. Contra as leituras naturalista e politicista, Michel Foucault é o primeiro pensador a propor uma interpretação histórica e relacional da biopolítica. Para Foucault, a vida não é a base nem o objeto da política. Ela se refere à emergência de um conhecimento político específico. No contexto do governo dos seres viventes, a natureza não representa um substrato material sujeito à ação política, mas que depende da própria ação política. A partir da perspectiva de Foucault, o livro mostra como pensadores como Agamben, Negri e Hardt e Roberto Esposito repensaram a biopolítica.
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