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Literatura Estrangeira

As Onze Mil Varas

Ou os Amores de um Hospodar

1ª Edição - 2017144 páginasIluminuraspt
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Sinopse

Esse livro inaugura a coleção  à deriva...  dirigida por Samuel Leon, que tratará de textos do gênero erótico. A ERÓTICA TEXTUAL DE APOLLINAIRE Em sua vasta tradição, o romance de aventuras tem por característica provar alguma coisa. O herói está no centro dessa provação, e suas peripécias volta e meia o colocam na berlinda. Ele então se desembaraça e segue em frente, puxando o fio da meada de novas experiências. Em sua contrafação erótica, pode-se dizer que o herói aventureiro põe à prova o próprio corpo (e o alheio), sua potência e ato nos quesitos resistência e consumação de si, a imponderável ruína. O marquês de Sade foi um dos grandes cultores desse gênero, cuja obra está marcada por um empreendimento de extrema violência. Não é à toa que o autor de  As onze mil varas  o chamou de “o espírito mais livre que jamais existiu”.  A propósito, diferentemente de seu mestre, a violência erótica de Apollinaire conta com o consentimento dos personagens, ainda que muitos pereçam na empreitada. Se em Sade a crueldade é condição do prazer libertino, em Apollinaire ela é o efeito colateral do mesmo, isto é, um acidente ou uma consequência inevitável e sem culpa. Com efeito, em  As onze mil varas,  o mal praticado contra o outro é o coroamento dos prazeres do protagonista, um certo príncipe, aliás, hospodar, chamado Vibescu, “Mony” para os íntimos, que se dá ao luxo (e à luxúria) de viver chafurdado em sucessivas e impagáveis orgias. O dito “príncipe” é soberano no sentido de que vive para o gozo dos sentidos, sem precisar produzir para viver, podendo consumar-se livremente no excesso e no gasto sem reservas da libertinagem. A contribuição de Apollinaire para o gênero parece confirmar a tese de que aos olhos dos modernos e contemporâneos a violência dos signos eróticos diminui consideravelmente seu impacto levando-se em conta o requinte e a delicadeza do trabalho formal de linguagem, de modo que, por vezes, a violência propriamente dita acaba se transmudando em humor, tal a descrição, por exemplo, do membro viril como “um boneco gordinho que quer se esquentar no seio da mamãe. Como ele é bonito! Tem uma cabecinha vermelha e nenhum cabelo”. De fato, em  As onze mil varas,  as peripécias libertinas não se fazem sem erotizar a própria linguagem (o que se deixa ver muito bem na tradução de Letícia Coura), produzindo um efeito de  significância,  aquilo que Roland Barthes define como produção sensual dos sentidos. É nesse ponto que a experiência erótica e a poética coincidem. Neste clássico da literatura erótica moderna, o leitor irá se deliciar com metáforas, comparações e analogias inusitadas, que parecem brotar espontaneamente dos conluios carnais do príncipe Vibescu e de seus parceiros, de modo a refinar, não apenas a expressão poética do erótico, mas o sentido mesmo do erotismo, o qual, ao contrário da mera pornografia referencial (em que se enfoca o erotismo do outro), não é nada óbvio ou banal, mas essencialmente mágico e singular. Contador Borges

Sobre Guillaume

Guillaume Apollinaire foi um escritor e crítico de arte francês, possivelmente o mais importante ativista cultural das vanguardas do início do século XX, conhecido particularmente por sua poesia.

Detalhes do livro

Título
As Onze Mil Varas
Autor
Guillaume Apollinaire
Editora
Iluminuras
Ano
2026
Páginas
144 páginas
Idioma
PT
ISBN-13
9788573214727
Edição
1ª Edição - 2017
Formato
Brochura

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