Exposto a movimentos diversos como a arte povera, o Fluxus, a arte conceitual e a pintura analítica, Antonio Dias opta por um caminho singular: em vez de aderir a uma ou outra tendência, explora poeticamente a tensão entre as questões que o formaram em meio aos debates da vanguarda carioca e sua inflexão num cenário outro, fortemente marcado tanto pela cultura material da sociedade de consumo quanto pela hegemonia das relações de mercado.
Sérgio Martins discute, aqui, a trajetória do artista Antonio Dias entre as décadas de 1960–70 em perspectiva transnacional, buscando compreender como sua obra se tornou palco de um diálogo entre questões caras às neovanguardas brasileira e europeia, ao mesmo tempo que toma distância crítica de ambas.
Sobre Sergio
sérgio martins nasceu no Rio de Janeiro, em 1977. Estudou história da arte na University College London (ucl), onde obteve o mestrado em 2005 e o doutorado em 2011, com bolsa do Higher Education Funding Council for England e da ucl Graduate School. Sua tese resultou no livro Constructing an Avant-Garde: Art in Brazil, 1949-1979 (mit Press, 2013). Em 2014, tornou-se professor do Departamento de História da puc-Rio e, entre 2020 e 2022, foi pesquisador visitante na Freie Universität Berlin com bolsa Capes/Humboldt Senior Fellowship. É pesquisador bolsista do cnpq desde 2023 e do programa Jovem Cientista do Nosso Estado (jcne) da Faperj desde 2018. Em 2012, organizou o número especial Bursting on the Scene: Looking Back at Brazilian Art do periódico inglês Third Text. Tem artigos publicados também nos periódicos October, artmargins, Artforum, ars, Modos e Novos Estudos Cebrap, entre outros, e contribuiu para os catálogos de mostras como Cildo Meireles (Fundação Serralves/ Museo Nacional Reina Sofia, 2013), Hélio Oiticica: to Organize Delirium (Carnegie Museum/ Art Institute of Chicago/ Whitney Museum, 2016), Alexander Calder: Performing Sculpture (Tate Modern, 2015), Anna Maria Maiolino (moca Los Angeles, 2017), Lygia Pape: a Multitude of Forms (The Metropolitan Museum of Art, 2017), Antonio Dias: derrotas e vitórias (mam-SP, 2021) e Louise Bourgeois: Imaginary Conversations (The National Museum, Oslo, 2023).