Como ler mais livros: 10 hábitos dos leitores que devoram 50 livros por ano
Ler 50 livros por ano parece impossível? Não para quem adotou os hábitos certos. Descubra as estratégias usadas por leitores vorazes para encaixar mais leitura no dia a dia.
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Em toda a literatura os anjos servem como metáfora da morte. Por quê? Ser caído faz parte da condição humana, explica Harold Bloom, autor de Anjos Caídos. Daí vem o reconhecimento de nossa própria mortalidade. Bloom oferece um pouco de conforto, com a consciência recíproca de que os anjos também representam o amor e a celebração das possibilidades humanas. A fascinação ocidental (em especial dos norte-americanos) pela figura dos anjos nas últimas duas décadas foi o que motivou o pensador Harold Bloom a escrever este curto ensaio. Demonstrando visível espanto diante da quantidade de livros e filmes em torno do universo angelical nesse período, Bloom inicia uma discussão profunda e contundente sobre o tema. Segundo o autor, existem três categorias simbólicas das religiões do Ocidente que se misturam muitas vezes, sem critérios de definição: os demônios, os diabos e os anjos caídos. Demônios e diabos são regularmente relacionados com o mal no imaginário popular, e os anjos caídos, apesar de caídos, continuam sendo anjos - o que, de certa forma, gera um certo glamour e uma aura sofisticada para esta última denominação. Para justificar essas alegações, Harold Bloom se baseia em fontes igualmente ricas e heterogêneas, como os Testamentos bíblicos, as obras de Shakespeare, o poema Paraíso Perdido, de Milton, a peça Angels in America, de Tony Kushner e até mesmo textos zoroástricos. Unindo tantas referências ele traça uma genealogia dos anjos, chegando à conclusão de que a humanidade erra quando tenta transformá-los em seres superiores, transcendentes, diferentes de nós. Esquecemos que eles "são algo que já foi nosso em essência e no qual podemos nos transformar novamente". A partir dessa aproximação entre a figura humana e a angelical, Bloom toca em um ponto crucial de sua obra: a consciência dos homens sobre sua mortalidade, isto é, sobre sua finitude. Logo, se somos semelhantes aos anjos e conscientes de nossa morte, nada também nos diferencia dos anjos caídos. Ser caído faz parte da condição humana, explica o autor: daí vem o reconhecimento de nossa própria mortalidade. Em compensação, Bloom nos oferece um pouco de conforto, com a consciência recíproca de que os anjos também representam o amor e a celebração das possibilidades humanas. Somos todos anjos caídos.
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