Distopias literárias: os livros que previram (e alertaram sobre) o futuro
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O Discurso Comunista Endereçado aos Cristãos
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Em Análise do discurso político, Jean-Jacques Courtine trabalha primorosamente a articulação entre a língua e a história. O tratamento de enunciados do discurso comunista de aliança endereçado aos cristãos permitiu ao autor forjar conceitos capitais para a Análise do discurso, como os de "enunciado dividido" e de "memória discursiva". A partir das reflexões e análises de Courtine, o leitor constatará que, na língua e na história, a fala cristã apresentou-se em diferentes contextos, como discurso de polêmica e de contrato para a própria constituição do discurso comunista. As vozes do discurso cristão surgem, nos enunciados comunistas, como fala e silêncio, como memória e esquecimento. Atenta à contradição constitutiva dos discursos, a obra de Courtine faz convergir a teoria do discurso com os postulados da arqueologia de Michel Foucault e demonstra que as formações discursivas são frequentadas pela alteridade, cuja presença se faz sob a forma da repetição e da reformulação, da inscrição duradoura ou do apagamento repentino.
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Desde os anos de 1970, mediante uma estreita e prolífica colaboração com Michel Pêcheux e seu grupo, Jean-Jacques Courtine contribuiu decisivamente para a constituição e os desenvolvimentos da Análise do Discurso francesa. Entre as décadas de 1980 e 90, o autor lecionou Lingüística e Estudos Culturais, em grandes Universidades da Costa Oeste dos Estados Unidos. Além de responsável pela preparação de várias edições críticas de clássicos, como A arte de se calar, do Abade Dinnouart, A história dos Monstros, de Ernest Martin, e A arte da mentira política, atribuída a Jonathan Swift, Courtine é autor de História do rosto: exprimir e calar suas emoções (com Claudine Haroche; Rivages, 1988) e de Metamorfoses do discurso político: derivas da fala pública (Claraluz, 2006). Com Alain Corbin e Georges Vigarello, organizou os três belíssimos volumes de História do corpo (Seuil, 2005-2006; Vozes, 2008). Atualmente, Courtine é Professor de Antropologia Cultural na Université de Paris III / Sorbonne Nouvelle.
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