Como recomendar livros para amigos sem arruinar a amizade
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A Quelônio lança o novo livro do escritor e professor Armando Milioni, autor de O projeto reconciliação do ITA: memórias de uma bela ideia golpeada (2022). Nesta estreia na ficção, o autor conta a história de Maria das Dores, uma personagem coadjuvante que ganha protagonismo por meio de uma escrita aguda e elegante. Em 2016, a escritora Martha Batalha publicou A vida invisível de Eurídice Gusmão, livro que narra a vida de uma mulher brasileira de classe média no Rio de Janeiro de meados do século XX. Martha Batalha cria uma protagonista inteligente e talentosa mas subjugada pelo marido – daí a expressão “vida invisível” que está no título do livro da autora. Inspirado na obra, o autor decidiu promover a empregada Maria das Dores à figura central de seu livro. O romance de Armando Milioni obedece a mesma sequência de eventos do livro que o inspirou, mas amplia o arco temporal para toda a vida da personagem e, mais importante, traz a visão de Maria das Dores a respeito dos episódios que se desenvolveram. O resultado é a história de quatro gerações de uma família pobre, que atravessa o tumultuado e injusto panorama social e político brasileiro desde a Era Vargas até os dias de hoje. A autora Martha Batalha não apenas autorizou Armando Milioni a escrever o livro baseado na história de Eurídice Gusmão e Maria das Dores como se mostrou bastante simpática à ideia. Foram, aliás, algumas pistas do próprio texto da autora que deram a ideia a Armando Milioni, que notou como no romance as menções a Maria das Dores vêm quase sempre acompanhadas com algum tipo de provocação, como quando o narrador observa que o casal Campelo a “adquiriu”. Observa o autor, no prólogo, que “mordeu a isca”: decidiu narrar a história dessa personagem ainda mais invisível: “Quero contar essa história. Se uma mulher de classe média em meados do século XX, no Brasil, vivia uma vida que merecia ser chamada de invisível, imagine a empregada dessa mulher. Quero contar a história da vida mais invisível de Maria das Dores e de seus três filhos.” Como diz Vanessa Ferrari na orelha do livro: “Maria das Dores sai do papel de coadjuvante e é alçada à de protagonista, revelando a sua dinâmica com a família sob o viés de quem é (muito) mais invisível do que a patroa. E, a despeito das forças sociais aniquiladoras, a personagem trava uma guerra diária pela própria dignidade e, em vários aspectos, é símbolo de uma nação vergonhosamente racista e desigual”.
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