Como manter a concentração durante a leitura na era das distrações
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"Sem jamais ter estado no Brasil, Júlio Verne (1828-1905), o pai da ficção científica e de fantasia, escreveu um romance que se passa no majestoso e fascinante rio Amazonas. A família de João Garral, um próspero e digno fazendeiro de Iquitos, no Peru – próximo à foz do Amazonas –, precisa empreender uma viagem rio abaixo, com o intuito de levar sua filha até Belém do Pará, onde deve se casar com o homem que ela ama. Para tal, é construída uma jangada que é uma verdadeira aldeia flutuante: autossuficiente, reproduz a sociedade da região e da época, com a família branca de origens europeias acompanhada dos escravos negros e trabalhadores índios. Mas não só festejos e celebrações ocupam a mente do fazendeiro. Um segredo do passado o assombra, e vai colocá-lo no caminho de Torres, um odiento capitão do mato que pode pôr tudo a perder. Publicado em 1881 em formato de folhetim e livro, A jangada é, a um só tempo, um primoroso romance de aventura e mistério do grande autor francês e uma fina exploração literária da riqueza natural do Amazonas e da maior bacia hidrográfica do planeta."
Júlio Verne (1828-1905) passou a infância com os pais e irmãos na cidade francesa de Nantes e na casa de verão da família. A proximidade do porto e das docas constituíram provavelmente grande estímulo para o desenvolvimento da imaginação do autor sobre a vida marítima e viagens a terras distantes. Com nove anos foi mandado para o colégio com seu irmão Paul. Mais tarde, seu pai, com a esperança de que o filho seguisse sua carreira de advogado, enviou o jovem Júlio para Paris, a fim de estudar Direito. Ali começou a se interessar mais pelo teatro do que pelas leis, e principiou sua vida literária escrevendo para o teatro, onde estreou com os Contratos desfeitos, a que se seguiram vários libretos de óperas cômicas. Seu pai, ao saber disso, cortou-lhe o apoio financeiro, o que o levou a trabalhar como corretor de ações, que teve como propósito lhe garantir alguma estabilidade financeira. Em 1863, porém, começou a publicar num jornal da época o romance Cinco semanas em balão, que pouco depois reunia em um volume, logo criando com essa obra um novo gênero literário: o romance geográfico e científico, que fundou rapidamente a sua reputação. A seguir escreveu: Viagem ao centro da Terra (1864), Da terra à lua (1865), Vinte mil léguas submarinas (1870), A ilha misteriosa (1870), A volta ao mundo em 80 dias (1873), entre outras narrações pitorescas de engenhosas invenções a um tempo atraentes e instrutivas, que o tornaram universalmente conhecido.
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