Os melhores livros de fantasia para entrar de cabeça em outro mundo
Da fantasia épica ao realismo mágico, o gênero tem algo para cada tipo de leitor. Uma seleção dos livros que mais transportam, encantam e viciam, do iniciante ao veterano.
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É Gonçalo, mas pode chamar de Portugal. Protagonista de A ilustre casa de Ramires, essa figura de carne e osso espelha o descompasso entre a ambição e a decadência da sociedade portuguesa na virada do século XIX para o século XX. Esse novo volume da série Clássicos da Língua Portuguesa, da Panda Books, é o terceiro título de Eça lançado na coleção. Gonçalo Mendes Ramires é descendente de uma família nobre portuguesa e carrega títulos de respeito, vindos de uma época em que Portugal dominava boa parte do mundo. Ele, no entanto, vive entre esse prestígio de berço e a decadência prática do dia a dia: depois de se formar em direito na Universidade de Coimbra, volta para casa e descobre uma vida medíocre, completamente afastada das decisões importantes que ditam os rumos de seu país. Na tentativa de retomar a relevância para seu sobrenome, Gonçalo vai tropeçando moralmente. Matrimônio, política, trabalho… tudo passa a ser somente um meio para atingir a desejada relevância. Nessa saga, aliás, Gonçalo acaba se dedicando a escrever um romance que relembra grandes batalhas dos tempos vitoriosos de Portugal e de seus antepassados. Assim, A ilustre Casa de Ramires apresenta uma trama dentro da trama, um livro dentro de um livro, num espelhamento entre passado e presente que evidencia o descompasso entre as épocas: ao mesmo tempo que Gonçalo narra os feitos nobres e heroicos de seu ancestral Tructesindo Ramires, Eça relata as atitudes equívocas e mesquinhas de Gonçalo, colocando-as em relevo por meio desse paralelo. Além disso, o texto revela também traços do cotidiano que, lidos hoje, mais de 120 anos depois, acabam se tornando um documento histórico sobre os costumes, prazeres e dissabores do dia a dia em um país europeu do final do século XIX. Como em todos os títulos da Coleção Clássicos da Língua Portuguesa, o livro traz textos de apoio e notas que adereçam as colunas laterais de cada página para explicar expressões do português de Portugal de mais de cem anos atrás ou para contextualizar fatos que hoje são desconhecidos do grande público. Assim, é possível preservar a íntegra do texto original e ao mesmo tempo garantir a compreensão total de quem lê, tudo isso acompanhado de ilustrações de sete artistas diferentes e de um mapa de personagens para você saber quem é quem no romance de Eça de Queirós.
EÇA DE QUEIRÓS nasceu em 1845 no interior de Portugal. Era filho de pai brasileiro, José Maria, que não conseguiu se casar com a mãe de Eça, Carolina, porque a família dela não admitia a união matrimonial com um homem de condição social inferior. Desse impasse surgiu um filho antes do casamento, algo considerado imoral para a época, e por isso Eça foi registrado sem o nome da mãe. Ele foi criado pelos avós paternos, estudou em um colégio interno e depois partiu para a Universidade de Coimbra, onde formou-se em direito. Passou então a trabalhar como jornalista e viveu muitos anos viajando mundo afora. Em 1870 publicou seu primeiro livro, O mistério da estrada de Sintra, e depois enfileirou clássicos como O primo Basílio (1878), Os Maias (1885) e A ilustre Casa de Ramires, publicado no ano de sua morte (1900)
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