Como manter a concentração durante a leitura na era das distrações
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No debate acerca da obra de Marx e Engels, é indiscutível o impacto que tiveram a publicação dos Grundisse, dos manuscritos de 1844, de 1861 – 1863, do Capítulo VI – Inédito etc. e, também, de A ideologia Alemã. As evidentemente melhores possibilidades de compreendermos o pensamento de Marx e Engels trazidas pela publicação dos manuscritos resultaram, ao contrário do que se poderia esperar, em uma gigantesca confusão. Sem desconsiderar avanços importantes (Lukákcs, Mészáros etc.), os resultados foram mais problemáticos que esclarecedores: é como se houvesse um Marx e um Engels para cada intérprete de sua obra. E uma das razões dessa confusão tem sido a prática disseminada de justapor os manuscritos às obras publicadas, como se entre eles não houvesse diferenças e contradições. Esse mesmo problema o leitor estará confrontando ao ter em mãos esta nova edição de A ideologia alemã. Marx e Engels consideravam o texto falho e saudaram, ao final de suas vidas, não ter sido ele publicado. Muitas de suas articulações, várias deduções, análises de processos históricos particulares foram mais tarde abordados com uma maior precisão, por vezes com novos elementos históricos, tornando ultrapassadas várias passagens desse manuscrito. Quando o leitor se deparar com contradições entre A ideologia alemã e, por exemplo, o livro I de O capital, saiba que possivelmente Marx e Engels tinham consciência das mesmas e, por esse motivo, preferiram publicar este último texto e deixar à crítica dos roedores o belíssimo manuscrito de A ideologia alemã. E, ainda assim, trata-se de um texto fundamental para conhecermos Marx e Engels. Nele encontramos um dos primeiros delineamentos da concepção histórica, do local do trabalho e da produção no desenvolvimento dos modos de produção, da relação entre desenvolvimento e totalidade social e dos indivíduos. E com a vantagem de ser um texto de fácil leitura, mesmo para o iniciante. Não é sem razão que A ideologia alemã ocupa um lugar de destaque na quase totalidade das análises que tratam da evolução dos dois grandes revolucionários. (Sergio Lessa)
Friedrich Engels (Wuppertal, Alemanha, 28/11/1820 – 5/8/1895, Londres, Reino Unido) – Foi filósofo e militante comunista alemão, construiu com Karl Marx uma teoria sobre a transformação da sociedade e da natureza, com base no materialismo dialético e histórico. Ao tomar contato com a realidade dos operários da indústria têxtil da família, na Inglaterra, Engels abandonou os debates do idealismo hegeliano e procurou entender, ao lado de Marx e o movimento comunista internacional, a base da exploração capitalista e as formas para a sua superação.
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