Como recomendar livros para amigos sem arruinar a amizade
Todo leitor apaixonado já passou pela frustração: indicou um livro que mudou sua vida e a pessoa achou chato. Aprenda a recomendar de forma que realmente funciona, e preserve a amizade.
PolíTica & Cotidiano
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No final de 2018, prometi que neste ano de 2019, o primeiro do reinado fascista do clã Bolsonaro, eu não escreveria sobre política. Iniciei em janeiro uma frustrada carreira de cronista: pescar com redes mal cosidas fatos do cotidiano. Torná-los temas com alguma graça. Não deu certo: faltaram-me peixes na rede porque não soube ver nem ouvir. E quando apanhados, faltou-me engenho e arte. Ou a mim se sobrepôs o vício de pensar e pesar fatos políticos. Agora que preparo este livro, com crônicas escritas no último ano (novembro de 2018 e setembro de 2019), verifico que escrevi mais crônicas políticas do que imaginava. Não cumpri a promessa de fim de ano, como em todos os anos. Infidelidades a promessas de fim de ano, eu sei, não é exclusividade minha! E o leitor há de compartilhar mentalmente comigo alguma das suas promessas não cumpridas. No final do ano passado, publiquei as crônicas que me pareciam contar um pouco a história do golpe iniciado logo após a publicação dos resultados das eleições em 2014 com o Aécio Neves, acompanhado de deputado federal Carlos Sampaio (seu assessor jurídico na campanha), tiveram seus dois pontos altos no impeachment da Presidente Dilma e na prisão de Lula, e desaguou na eleição de Bolsonaro, cujos eleitores não podem hoje dizer que não sabiam em que votavam! Batizei o livro com o nome Urdiduras do golpe. Cartas, jogadores e marionetes (Pedro & João Editores, 2018). Nele ocorreu algo que mostra como estava a campanha eleitoral de 2018, em sua última semana. Como tinha que fechar o livro com urgência, escrevi no dia 28 de outubro, data do segundo turno, duas crônicas: uma caso houvesse uma virada histórica, possível segundo os dados da pesquisa da Vox Populi, financiada pelo público da pós-TV 247; e uma segunda, para o caso de Bolsonaro se eleger… O livro saiu às pressas: o lançamento seria num encontro de Bakhtinianos em Cascavel, no Paraná, ainda no começo da segunda quinzena de novembro. E nele ficou registrado implicitamente o clima do final da campanha: no sumário do livro aparece o título da crônica que comemoraria a eleição de Fernando Haddad; mas a crônica que encerra o livro anuncia a eleição do fascismo pelo voto direto da população.
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