Sobre Plinio
"Nasci em um sábado pela manhã enrolado no cordão umbilical.
Aos três anos descobri que as letras tinham significados.
Aos cinco, a interrogação.
Aos nove, não era sintético.
Aos doze, quis ser metonímia.
Aos quinze, conquistei a exclamação.
Aos dezessete, vi os morfemas.
Aos dezoito, fui liberado do tiro de guerra, virei perífrase.
Aos vinte, estava no palco.
Aos vinte e seis, desenredei a Linguística e atuei com meninos e meninas de rua.
Aos trinta e cinco, recebi o maior presente: aquele que me trouxe a felicidade.
Aos quarenta, desvendei uma ligeira maturidade e ironia: fui morar só.
Aos quarenta e cinco, recebi o maior prazer de viver no adjunto adverbial de companhia.
Aos cinquenta, tomei remédio para pressão e usei óculos até para atender o telefone.
Aos cinquenta e um, lancei o primeiro romance: ""O NAMORADO DO PAPAI RONCA"".
Aos cinquenta e cinco, louvei os antepassados com o livro de contos ""OUTRAS VOZES"".
Aos cinquenta e sete, quase tudo junto, soltei: ""DE RUA, BOMBONS SORTIDOS e LUIZA"".
Hoje, com quase sessenta, me divirto cometendo escritos."