Poesia para quem nunca entendeu poesia: um guia sem pretensão
A maioria das pessoas acha que não entende poesia. Mas poesia não precisa ser entendida como uma equação, precisa ser sentida. Um guia honesto para quem quer dar uma chance ao gênero.
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Segundo volume da Coleção Precursoras: Resgate de obras de autoras do século XIX e início do século XX. Este volume contém um ensaio da pesquisadora Imaculada Nascimento sobre a vida e obra da Ercilia e as duas obras da precursora: 1. O ensaio “Virgindade Anti-Higiênica: Preconceitos e Convenções hipócritas”, de 1924; 2. A novela “Virgindade Inútil – Novela de uma Revoltada”, de 1927. Nessas duas obras, a escritora se coloca no lugar de fala de uma mulher que, ao vivenciar a situação de opressão vigente, percebe, observa e critica uma cultura que objetifica, aprisiona e exclui as mulheres. O ensaio Virgindade Anti-Higiênica defende uma tese político-social: a igualdade de condições para homens e mulheres, enfatizando a educação de qualidade como fator primordial para que a mulher possa reivindicar a liberdade sexual e profissional. Um ensaio que teve como diferencial três características: a linguagem radicalmente coloquial – um discurso virulento em defesa dos direitos da mulher; um título surpreendente – Virgindade Anti-Higiênica – Preconceitos e convenções hipócritas, que causou impacto, tanto para a sociedade quanto para muitos escritores que compunham a elite intelectual de então; e as reivindicações que detalhavam algumas especificidades até então não mencionadas, tão claramente, pelas outras escritoras, tais como a moral sexual igualitária para as mulheres e a opção de relacionamento homossexual como parte da liberdade sexual. A novela Virgindade Inútil, trata-se de um romance utópico, com forte crítica social por meio de imagens positivas de uma sociedade melhor, de acordo com a defesa ideológica pelas mulheres. Sua forma singular, principalmente na divisão das partes iniciais, talvez tenha sido inspirada na própria estrutura do ensaio. É iniciado com o título OBSERVAÇÃO, no qual a própria Nogueira Cobra desenvolve a temática, como se fosse apresentação de uma tese; em seguida, no subtítulo INTROITO, a voz já é da narradora, que demarca o espaço da narrativa. Iniciam-se, então, os 20 pequenos capítulos sem títulos, apenas numerados. A partir dos capítulos, o relato da vida de Cláudia vai se desenrolando no cenário e nos ethos das duas grandes cidades em que ela se firmou inicialmente, após haver saído do interior. Os hábitos, os costumes fundamentais no âmbito do comportamento e da cultura, característicos, principalmente, de São Paulo e Rio de Janeiro, constituem uma narradora (re)construída pelo imaginário, a partir da montagem dessas peças na narrativa e relato de vida da protagonista, que dirige sua crítica irônica e sarcástica às instituições governamentais, às autoridades públicas, à instituição familiar, à burguesia que, para conseguir e manter privilégios, submete-se e submete ao controle as classes inferiores.
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