Fruto, de viagens, essa coleção de imagens se divide em alguns grupos temáticos evidentes, como a orla marítima pedregosa, flores, a paisagem humana e vegetais ressecados. Falando do conjunto, surpreendente a completa falta de exotismo do olhar do fotógrafo. Com exceção das faces humanas, obviamente africanas, mas ainda assim tomadas em sua humanidade de modo a eliminar ou transcender seu contexto cultural, a paisagem física evita inteiramente os clichês. Não há fotos de animais selvagens, tampouco de vastas amplidões vegetais. Em vez disso, o olhar se concentra, por exemplo, nas bordas do continente, fazendo um belo uso do contraste entre a pedra e a água.
Se não há, nessas imagens da orla pedregosa, nada de evidentemente africano, há muito de evidentemente belo. O enquadramento preciso e o controle da gama de cores, entre o cinza, o chumbo, o azul e o verde, aliados à grande luminosidade, dão a esses registros físicos uma dimensão estética que, não por acaso, é a busca consciente do fotógrafo, explicitada em vários versos do livro (“Em memória da beleza que nasceu, cresceu, morreu, mas ninguém viu”).
A beleza, aqui, não é porém encontrada apenas onde se espera encontrá-la, como no mar turquesa ou em flores carregadas de cores. Talvez a série mais interessante do livro seja a central, em que o olhar do fotógrafo se concentra, em mais de um sentido, em vegetais ressequidos, como troncos mortos, palha e folhas secas. A gama, agora, é toda do marrom e do cinza. O enquadramento e a composição, por outro lado, abandonam todo naturalismo e assumem um ângulo nitidamente abstratizante, por vezes geométrico, feito de linhas paralelas ou longas e suaves curvas. Por um lado, os vegetais ressecados têm algo da permanência mineral. Por outro, sua própria forma os abstratiza em geometria, que a fotografia, por sua vez, perpetua.