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ConsideraçõEs PsicanalíTicas sobre as Redes Sociais
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A proliferação de imagens a destinatários íntimos ou anônimos é uma forma extremamente popular em nossos dias para nos fazermos presentes no mundo. Nossas ações, nossas silhuetas, nosso corpo, nossa capacidade de seduzir, nossas mensagens ao outro, tudo isso precisa cada vez mais se instrumentalizar de imagens para atingir o reconhecimento do outro. O universo anterior constituído pelo exercício empático da interioridade, sustentada pela imaginação e pela vida sentimental, perdeu seu estatuto de hegemonia no laço social contemporâneo. Hoje é preciso fazer o outro ver. É necessário impeli-lo a participar das cenas de nossas vidas ratificando a existência de cada uma delas através da doação de seu olhar. O livro Ver e ser visto: considerações psicanalíticas sobre as redes sociais discute, de modo competente e aprofundado, o estatuto da visibilidade no mundo contemporâneo, a partir da sua articulação com o surgimento das novas tecnologias digitais, especialmente no que tange a certas práticas de postagem visual. Autores de campos e épocas heterogêneas foram convocados para servir de grade de referência: Freud e psicanalistas contemporâneos, historiadores, filósofos e pensadores da cultura. Entre os inúmeros atrativos deste livro, destaca-se a realização de uma pesquisa qualitativa para nos fazer compreender o fenômeno complexo da “documentação visual do cotidiano”, termo que a autora cunhou para lançar luz sobre a atividade caracterizada por oferecer imagens de si no mundo virtual, de modo frequente e estável. Através de entrevistas em profundidade com sujeitos que afirmaram postar diariamente material visual de si nas redes sociais, Ana Carolina Cubria propõe formas novas de inteligibilidade para temas caros à contemporaneidade e suas demandas clínicas. Sua maior virtude é exatamente não nutrir uma perspectiva deficitária ou saudosista para compreender seus entrevistados. Julio Verztman
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