Como criar um ambiente de leitura em casa que convide (em vez de afastar)
Ambiente importa tanto quanto disciplina para criar o hábito de leitura. Pequenas mudanças no espaço físico aumentam drasticamente o tempo que você passa com livros nas mãos.
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São muitos assuntos. Desde as canoas de couro construídas pelos austronésios, usadas nas primeiras travessias oceânicas, passando pela chegada do dinamarquês Preben Tage Axel Schmidt a Cabo Frio para erguer uma ponte, em 1924, até as oito medalhas olímpicas legadas ao país por seus descendentes. Do lendário capitão James Cook, descobridor da Austrália, à Escola de Sagres; da criação do pioneiro Fluminense Yatch Club, no salão nobre do tricolor das Laranjeiras, e com sede onde hoje está o Iate Clube do Rio de Janeiro, até Paquetá, quando a primeira regata esportiva brasileira foi interrompida por uma tempestade. Tudo isso está nas 224 páginas do livro Vela Esportiva Brasileira, de Murillo Novaes. São três partes oferecendo, com deliciosa leveza, uma linha do tempo que facilita a marcação da leitura e apresenta a cronologia do ato de navegar, recheada de fotos históricas e imagens iconográficas. Um deleite para quem gosta do esporte em que o Brasil sempre tem chances de medalha em Olimpíadas. O esmero com que Murillo Novaes nos apresenta a navegação só reforça o gigantismo dos que sonharam, e domaram, os oceanos. Como não admirar o cartaz da primeira disputa da Copa América de escuna, vencida pelo New York Yacht Club, em Cowes, em 1851? E o que dizer de conhecer o contexto político da ascensão de britânicos, franceses e holandeses diante de portugueses e espanhóis na corrida pelos descobrimentos, ou ver o cronograma de chegada e construção de todas as classes de barcos no Brasil? Descobrir que o racionamento de gasolina em 1942, decretado por Getúlio Vargas por causa da Segunda Guerra Mundial, impulsionou a vela como opção de lazer por aqui também não deixa de ser curioso, assim como saber mais sobre a primeira Regata Escola Naval – a mais tradicional do país – em 1948, e o primeiro ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1951. A trágica regata Fastnet, de 1979, também aparece, assim como os triunfos do Cisne Branco, barco-escola da Marinha Brasileira e de numerosos velejadores em uma miríade de classes. Nada se compara, porém, às trajetórias dos mitos Torben Grael e Robert Scheidt, e ao êxtase de ver a vela feminina se impor na Rio 2016 com o ouro de Martine Grael e Kahena Kunze. Um livro imperdível para quem se orgulha e admira o esporte.
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