Distopias literárias: os livros que previram (e alertaram sobre) o futuro
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Uma vítima é um drama familiar centrado na história trágica de uma jovem meiga, virtuosa, levada a um ato de sacrífico e resignação, o qual arruina totalmente o seu futuro; e tudo para salvar o pai. Lúcia, a jovem protagonista, é filha única e muito querida do pai. A relação de ambos é recheada de admiração mútua, amor, carinho; uma relação quase incestuosa, refletindo a obsessão e o fascínio por esse tipo de relacionamento nos enredos do Romantismo — o leitor atual pode desaprovar a relação de pai e filha. Desde o princípio, Melania, digamos a antagonista, mãe da menina, demonstra pouco amor pela filha; e logo ambas se tornarão rivais, ou melhor, não rivais por parte da filha, mas sim pela segunda. Essa relação conflituosa envolverá Rodolfo e, a posteriori, o marido/pai, o deputado elogiado e político respeitado, abolicionista e gentil Caetano. Caetano ama desesperadamente a mulher e lhe é submisso, também atende a todos os desejos da filha; um gigante entre os rivais da política, quase uma marionete nas mãos da esposa. Uma vítima traz uma história trágica, daquelas bem em moda no século XIX. Lúcia descobre que sua mãe não é apenas uma mulher fria, indiferente à filha única, frívola, invejosa e plena de revoltante egoísmo; mas também capaz de outros tantos pecados. Ao ver a mãe e Rodolfo juntos em um ato incompatível a ambos, a jovem, muito amada pelo pai e invejada pela mãe, toma uma decisão relâmpago e, com isso, destroi totalmente o seu próprio futuro. Escrito por Délia, extremamente talentosa, alegre e irônica escritora praticamente esquecida na atualidade, este romance merece voltar a ser lido, como foi no passado pelo leitores da seção Folhetim da Gazeta da Tarde.
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