Literatura brasileira: os clássicos que todo leitor deveria conhecer
A literatura brasileira produziu obras extraordinárias que dialogam com o melhor da literatura mundial. Um guia pelos clássicos essenciais, do Romantismo ao Modernismo.
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Com Uma saída honrosa, Éric Vuillard examina, com sua habitual meticulosidade e seu interesse em revelar a mecânica das sombras, as circunstâncias da saída da França da Indochina, parte distante de um império que incluía o que viria a ser o Vietnã, Camboja e Laos e onde a França fez bons negócios, sob a falsa capa de uma “missão civilizatória”. A cadeia de interesses que levará ao desastre da derrota francesa é contada de forma inquietante pelo autor, ganhador de diversos prêmios, dentre os quais o Prêmio Goncourt, em 2017. Depois de trinta anos de luta, as perdas do lado da França e dos Estados Unidos chegarão a quatrocentos mil mortos. Do lado vietnamita, são três milhões e seiscentos mil, ou seja, tantos quanto os franceses e alemães mortos durante a Primeira Guerra Mundial. Isso faz parte da "verdade monstruosa" que Éric Vuillard retrata. Por que o escolhemos? Embora encerradas há décadas, as guerras coloniais continuam vívidas hoje em dia, com países ainda buscando “saídas honrosas”, seja de suas ex-colônias, como nos recentes embates entre a França, o Mali e o Níger, ou no caso dos Estados Unidos, que também teve de encontrar uma “saída honrosa” após a invasão do Vietnã e, mais recentemente, do Iraque e Afeganistão. Logo mais, uma “saída honrosa” provavelmente haverá de ser encontrada para a guerra da Ucrânia e, também, para a atual guerra que envolve Israel e a Palestina.
Éric Vuillard (Lyon, 1968) é autor de uma série de livros premiados, como Conquistadores (2009), sobre a queda do império inca, vencedor do Prêmio Ignatius J. Reilly 2010, e A batalha do ocidente (2012), sobre a Primeira Guerra Mundial, que ganhou o prêmio Franz Hessel 2012 e o Prêmio Valery-Larbaud 2013. Por sua vez, Tristeza da terra (2014) venceu o Prêmio Joseph Kessel 2015, e A ordem do dia (2017), no qual narra uma reunião entre Hitler e industriais alemães, ganhou o Prêmio Goncourt 2017, foi eleito o melhor livro de 2018 pela National Public Radio (EUA ) e recebeu a medalha Hay de ficção (Reino Unido) em 2019. Neste ano, publicou A guerra dos pobres, história sobre um levante popular na Alemanha do século XVI, que foi indicado ao International Booker Prize 2021.
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