Como ler mais livros: 10 hábitos dos leitores que devoram 50 livros por ano
Ler 50 livros por ano parece impossível? Não para quem adotou os hábitos certos. Descubra as estratégias usadas por leitores vorazes para encaixar mais leitura no dia a dia.
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Duas vítimas de violência sexual cultivam uma amizade que as ajudará a superar as dores do passado. Uma terceira vítima de igual violência acalenta a atenção dos clientes do boteco onde trabalha para apaziguar seus traumas. Um músico fracassado ajuda crianças doentes. Um velho sem-teto tenta vender doces nos ônibus. Um homem atormentado pelas lembranças da finada esposa passa horas conversando com alcoólatras em bares. Uma vendedora de chocolates no metrô luta para superar dificuldades financeiras e de moradia. Um rapaz bem-sucedido larga seu emprego para viver e trabalhar em um pequeno bazar. Um engraxate otimista e divertido ilumina a vida de todos os que conhece pelas ruas. Um fotógrafo desempregado busca superar suas tristezas e limitações artísticas pelo carinho que nutre pelo cotidiano. E uma velha analfabeta reza desesperadamente pela sorte de todos eles. Essas são algumas das personagens que surgem e ressurgem em uma São Paulo de ritmos amenos e movimentos letárgicos. São elas que, mesmo sem perceberem, empreendem pequenas revoluções diárias, evidenciando que o ser humano nunca é um derrotado. E, ainda que faltem posses, lhes sobra o que é realmente essencial: a amizade despretensiosa, o respeito às diferenças, e a solidariedade como mecanismos de resistência à violência e ao desamparo. Ambientadas no fim da década de 1990 e escritas entre os anos 2000 e 2002, as histórias de Uma oração para seres medíocres sem amanhã formam a chamada Trilogia do anonimato, do fotógrafo e escritor Arlindo Gonçalves. O projeto correspondeu aos livros Dores de perdas (2004), Desonrados (2005) e Desacelerada mecânica cotidiana (2008). Embora editadas em separado, as três obras foram concebidas como um único romance. Reescritas e trazidas ao lado de um ensaio fotográfico que resgata imagens não publicadas na trilogia original, as narrativas são reunidas vinte anos depois e em um momento em que, conforme palavras de Maria Valéria Rezende: “(...) torna mais urgente que nós, artistas de todas as formas de expressão, mantenhamos e reforcemos esses laços solidários entre nós, para fazer uma resistente barreira contra o silenciamento, a ocultação e a ameaça de extinção dos que mais necessitam de visibilidade, amor e justiça e que, paradoxalmente, são capazes de a nós devolver esses valores”.
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