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A ControvéRsia Entre John Webster e Joseph Glanvill e a Demonologia na Inglaterra da Restauração (16
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Por cerca de três séculos milhares de pessoas foram perseguidas e acusadas do crime de bruxaria. Grande parte das autoridades entre os séculos XV e XVIII estava preocupada com a possibilidade de que certas pessoas firmassem pactos com demônios para benefício próprio ou para a ruína de toda a cristandade. Em torno do pacto diabólico foram reunidas outras tantas questões e tomou corpo uma literatura numerosa, abrangente e diversificada. A demonologia na Idade Moderna atraía grande interesse e embora estivesse vinculada em alguma medida à caça às bruxas, possuía características e dinâmica próprias, repleta de controvérsias. Tais polêmicas subsistiam não apenas por causa da ligação entre o discurso demonológico e a perseguição institucional, mas ainda, e principalmente, em função da possibilidade de associar esse discurso a diferentes compromissos intelectuais, tratando de problemas que extrapolavam a demonologia. A controvérsia entre John Webster (1610-1682) e Joseph Glanvill (1636-1680) é exemplo disso. Na segunda metade do século XVII, publicaram, respectivamente, The displaying of supposed witchcraft e Saducismus triumphatus, defendendo, por um lado, o caráter ilusório e, por outro, a realidade da bruxaria como pacto diabólico. Também advogaram compromissos intelectuais mais amplos, relacionados ao desenvolvimento da ciência moderna e à diversidade religiosa existente.
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