Poesia para quem nunca entendeu poesia: um guia sem pretensão
A maioria das pessoas acha que não entende poesia. Mas poesia não precisa ser entendida como uma equação, precisa ser sentida. Um guia honesto para quem quer dar uma chance ao gênero.
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
Crie uma conta gratuita e continue exatamente desta página.
Um país para morrer é formado sobretudo por diálogos, o que pressupõe uma série de encontros. Só conversa quem se dispõe a estar diante do outro. Uma mulher se prostitui para solda - dos franceses durante a ocupação na Indochina enquanto tenta convencer um deles a acompanhá-la à Índia. A personagem principal do livro encontra um jovem iraniano desfalecendo no metrô de Paris e o acolhe, para depois ouvir (e ler) sua história de perseguição e fuga. Os encontros aqui não são apenas entre pessoas. Como diálogos pressupõem movimento, já que são um vai e vem, as personagens estão o tempo inteiro se deslocando. O encontro que elas têm com sociedades estrangeiras, por exemplo, nunca é pacífico. A percepção de Abdellah Taïa é clara: países que exploram outros fazem o mesmo com os corpos estrangeiros. Enquanto consolida o pro - cesso de transição para o sexo feminino, Aziz radiografa a sociedade francesa: “(…) no fim das contas, o que temos aqui, em Paris, no coração da França? Uma burguesia tacanha, orgulhosíssima de sua cultura e sempre muito satisfeita consigo mesma. Pequenas tribos, aqui e acolá, que me lembram algumas que conheci na Argélia. Dos dois lados, a mesma coisa. Eles pensam que vivem na liberdade verdadeira, mas tudo que fazem é se submeter ao mais forte, ao mais esperto. Você quer nomes dessas tribos superfrancesas? Louis Vuitton. Hermès. Dior. Chanel. O Louvre. École Normale Supérieure, onde os idiotas do Jean-Jacques e do Pierre ensinam.” Apesar de toda a violência, dos corpos que sofrem e dos deslocamentos quase sempre obriga - tórios, o romance é cheio de lirismo, passagens oníricas e sobretudo personagens dotadas de grande sensibilidade. Como estão todas à margem, um último movimento se impõe. É preciso virar os olhos e observar os verdadeiros agentes da violência: os donos de qualquer poder.
Outros livros de Abdellah Taia
Livros na mesma categoria
Dicas e recomendações para leitores
A maioria das pessoas acha que não entende poesia. Mas poesia não precisa ser entendida como uma equação, precisa ser sentida. Um guia honesto para quem quer dar uma chance ao gênero.
Boa biografia não é cronologia de vida, é imersão numa mente. Uma seleção das biografias mais absurdamente envolventes, que você devora sem perceber que está aprendendo história.
Ler 50 livros por ano parece impossível? Não para quem adotou os hábitos certos. Descubra as estratégias usadas por leitores vorazes para encaixar mais leitura no dia a dia.
Para escolas, universidades, autores e editoras